“Proust é terrível. Desde sua juventude, deixou seus biógrafos desesperados por descobrir esta verdade tão simples, que um artista é feito de duas pessoas: a que vive e a que cria. ‘Um livro é o produto de um outro eu, que não aquele manifestado em nossos hábitos, na sociedade, em nossos vícios’. […] Na obra de Proust, quase todos os personagens são caricaturais, por um lado ou por outro, e é precisamente isso que os faz ter uma vida romanesca enorme, com faz a Recherche (Busca) parecer tanto o espelho de uma sociedade. Não se pinta a realidade a não ser pelo exagero.”
(Jean Dutourd, no prefácio de Em busca de Marcel Proust, de André Maurois.)