Comentários de leitores de H. A.
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“Acabei agora de ler o seu A vizinha das sete cordas. Gostei da unidade do estilo. As elipses e enigmas me deixaram às vezes no ar. Gostei muito do conto ‘Nas nuvens’ [o primeiro do livro] e da homenagem a Manuel Bandeira em ‘O poeta e a estrela da manhã’ [o último]. Parabéns! [Três dias depois]: Reli hoje alguns contos e o prefácio de Eltânia André, ‘Por quem as cordas vibram’; me dei conta de que não me exprimi bem na minha mensagem quando disse que me sentia no ar. Senti o que a autora do prefácio soube definir muito bem e que define bem o estilo dos seus contos: ‘Objeto contraintuitivo que surpreende e atrai pelo desafio, em que o interior e o exterior apontam para uma instância não delimitada; na escrita de Hugo Almeida o dentro e o fora emergem como enigmas. Coloca diante do leitor um campo gravitacional de especulações, no qual não há respostas nem saídas imediatas, mas um permanente questionamento e um contínuo desvendar […] de silêncios e evasões que falam mais do que o enunciado’ (chave elíptica/concisão e economia de meios estilísticos e semânticos – escrita enxuta e poética). Foi o que eu senti e não soube expressar.”
(Paula Barbosa, professora. São Paulo.)
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“Li a resenha que o Álvaro Cardoso Gomes escreveu de A vizinha das sete cordas. Que coisa impressionante. Gostei demais. Tenho gostado cada vez mais desse portal, A Terra é Redonda. Admirável. A resenha me fez perceber coisas do livro que também me ficaram muito fortes. Achei especialmente interessante essa ideia do ‘dentro’ e do ‘fora’ como espaços que, no fundo, revelam a mesma espécie de vazio e de desencontro. E também essa recorrência da viagem, da fuga, dos deslocamentos, como se os personagens estivessem sempre procurando alguma coisa que talvez nem saibam nomear.
Talvez o que mais tenha me chamado a atenção no livro seja justamente essa combinação entre a economia da escrita e a densidade simbólica. Tudo parece muito simples na superfície, mas quase sempre há alguma coisa escondida por trás do gesto, do objeto, da situação. Lendo, fiquei várias vezes com a sensação de que era preciso voltar ao conto para tentar enxergar melhor o que estava acontecendo.
E acho que isso estabelece uma continuidade muito bonita com o que já tinha percebido no romance Vale das ameixas. Mas senti aqui uma escrita ainda mais depurada, mais concentrada, quase musical, e uma construção muito consciente dos contos como pequenas máquinas de estranhamento. Gostei muito também da parte final, com Osman Lins, Clarice e Bandeira, porque ali aparece de maneira muito interessante a relação do autor com a própria literatura, com os escritores e com a construção das narrativas.”
(Faustino Rodrigues, psicanalista e escritor. Ele vai lançar neste ano o romance Nós, o silêncio. Belo Horizonte.)
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“Quinze narrativas que deixam no ar um enigma. É o que o leitor irá encontrar em A vizinha das sete cordas (São Paulo, Editora Sinete, 2026), de Hugo Almeida, que traz ainda um percuciente prefácio da escritora mineira Eltânia André, radicada em Lisboa, e textos de apresentação da poeta Lara Vaz-Tostes e do escritor e editor Whisner Fraga. São contos repassados de lirismo, que não trazem reflexões de um ensaísta, mas de um ficcionista-poeta, que procura fixar a solidão do homem e da mulher modernos, seus sonhos e perplexidades diante do mistério da vida.”
(Adelto Gonçalves, “Contos repassados de lirismo”, Baía da Lusofonia.)
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“Comecei a ler A vizinha das sete cordas (uma edição, aliás, primorosa). Gostei de todos os contos que li até agora. É surpreendente o jeito como você trata o material. Não são só ‘contos de enredo’, tradicionais. Você coloca tantos flashes, alguns verdadeiros versos, outros pura fotografia, que a gente vai mergulhando nos cenários e se sente como se estivesse vendo um filme, digamos… cubista. Para mim, está abrindo horizontes. Você está me mostrando que conto não precisa ser uma historinha começa-e-acaba. Pode conter bem mais do que isso, ser escrita de forma muito mais livre e poética. Que belo livro. Parabéns. [No fim do mesmo dia, terminada a leitura]: O que me surpreendeu em A vizinha foi mesmo a forma que você usou nos contos. Confesso que, no primeiro que li, perdi o fio da meada e tive de recomeçar a leitura. Não estava conseguindo entender. É que a sua proposta – e essa foi pra mim uma grata surpresa – exige da gente um tipo diferente de leitura da usual em contos (rápida e ‘horizontal’). Pede um tipo de leitura mais atenta às palavras, aos períodos, enfim, mais ‘vertical’. Quanto atentei pra isso, a leitura ficou tranquila, prazerosa. Entendi tudo.”
(Alberto Mawakdiye, autor de vários livros, entre ele o de contos A garçonete de olhos de espantalho, lançado no último sábado, 8 de agosto de 2026, em São Paulo.)
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(Luís Giffoni, autor do romance Linha de neve e de outros livros. Belo Horizonte.)
“Hugo nos surpreende a cada novo lançamento. É um escritor que não abre mão da beleza da língua portuguesa e a explora para levar ao leitor suas histórias com a máxima densidade. É o caso de A Vizinha das Sete Cordas. Belíssimos contos para quem quer ficar dentro do universo de Hugo Almeida. Recomendo: não fique fora de sua criatividade.”
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(Alessandra Orsi, autora de Meridianos de Eva. Lindoia-SP.)
“Que texto profundo e lindo de análise de A vizinha das sete cordas o escritor e professor da USP Álvaro Cardoso Gomes escreveu!”
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(Francisco de Morais Mendes, autor de A bala dos desarmados e outros livros. Belo Horizonte.)
“Terminei de ler A vizinha das sete cordas. Bela surpresa ficou o conjunto de histórias com sua distribuição, a casa, o mundo e a memória afetiva que a tudo abarca (sem querer trocadilhos com canoas) e homenageia os que já se foram. O conto ‘Influxologia alemã’ pousou suavemente no conjunto e amplia e enriquece o repertório temático do livro. Fiquei muito impressionado com a qualidade dos textos do Whisner Fraga, da Eltânia André e da Lara Vaz-Tostes. Lara consegue dar conta da riqueza e variedade do livro na brevidade de uma orelha. O ensaio da Eltânia é outro primor. E, para terminar, o livro tem esta belíssima capa com o quadro do Klimt.”
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(Álvaro Cardoso Gomes, professor titular da USP e escritor, autor dos romances Os Rios Inumeráveis, O Poeta que fingia e Panarquia, dos contos Convenções do Insólito e do ensaio O Simbolismo, uma Revolução Poética. Artigo sobre A vizinha das sete cordas publicado no site A Terra é Redonda em 18 de julho de 2026.)
“Intrigante e enigmático, A vizinha das sete cordas, apoiado num estilo minimalista, em que se fundem opções narrativas variadas, aprisionadas num texto em que se sobressaem tonalidades musicais bem específicas, é mais uma alta investidura de Hugo Almeida na criação de um mundo estranho, a representar o vazio, os sonhos ocos de pessoas despojadas daquilo que é essencial ao humano – o amor, a solidariedade, a mútua convivência, o diálogo.”