Comentários de leitores de H. A.
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(Jair Nascimento Filho, engenheiro mecânico, professor aposentado da Escola de Engenharia da UFMG. Filho de Albertina de Sá, autora de Voos no Cerrado, organizado por H.A.)
“Estou fazendo uma coisa que gosto: café da manhã calmo, às vezes ouvindo notícias no rádio, às vezes lendo jornal (mesmo se for de ontem). E hoje estou aqui curtindo a última edição de Mil Corações Solitários, na calma da manhã. Maravilhosa essa 5ª edição, em vários aspectos. Não somente pela edição em si, mas também por uma reflexão no valor dessa obra. No contexto em que ‘apareceu’, em 1988, e agora, em 2026, em um cenário bem diferente.
Níobe foi valente, mas não em vão. Ela foi uma vitoriosa vivenciando amor (do jeito que foi possível, claro). Será que havia outros tipos de Níobes? Poucas, acho eu. Mas se exercendo. Nas décadas de 60 e 70 aparecem os movimentos feministas. Coisa que você acompanhou bem, como jornalista, como sujeito, um cara atento ao seu tempo.
Caramba, como era difícil e triste ser Níobe. Todavia acho que ela diria: ‘No fim, nos finalmentes, dá pra dizer que valeu a pena’. É possível ter havido alguns outros tipos de Níobes, as mulheres de hoje agradecem. Hoje o cenário, o nosso cenário, está bem diferente. Ainda bem e que ótimo. As Níobes tiveram influência. O formato dessa edição é original. O romance e a edição do romance. Os comentários são pertinentes e esclarecedores. Mil Corações Solitários é dessas coisas quanto mais velho melhor.”
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(Tarisa Faccion, graduada em Cinema pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Mídias Interativas pela University of the Arts London, autora de Nas estrelas, livro publicado na Web. Participa da coletânea Feliz aniversário, Clarice. Vive em Florença.)
“Finalizei a leitura de A voz dos sinos. Que beleza! E que obra de fôlego! O seu conhecimento, o seu olhar apurado e sua sensibilidade são visíveis ao longo de todo o texto, seja a partir da imersão nas obras de Osman Lins [5/7/1924-8/7/1978], coligada com as pesquisas existentes, seja na sua capacidade de honrar o homem em seu percurso de criador. Viva Hugo, Viva Osman!”
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(Caio Junqueira Maciel, “Livro de acordar o leitor: A vizinha das sete cordas”, Baía da Lusofonia.)
“O leitor não pode dormir de touca: há muitos toques intertextuais, paratextuais e outros que tais [em A vizinha das sete cordas]. […] Uso de uma expressão de José Miguel Wisnik para afirmar que Hugo Almeida é dos escritores que dão ‘pérolas aos poucos’, uma vez que sua erudição e prodigalidade em saltos de longa distância de um texto para outros não dão vida fácil para leitores muito acomodados. E o leitor tem todo o direito de gostar mais de um conto do que de outro.”
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(Caio Junqueira Maciel, professor de Literatura Brasileira e escritor, autor de Um estranho no Minho, romance sobre o período em que viveu em Portugal, e outros livros. Belo Horizonte.)
“Entre os quinze contos de A vizinha das sete cordas impressionou-me ‘Nas nuvens’, primor de minimalismo, pegada para uma narrativa fantástica, simbologia bíblica com a Estrela de Belém, os nove meses da gravidez de Maria (as datas 22 de março e o Natal), o casal que sai da casa para um apartamento e é atraído pela maquete.”
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(Milena Morozowicz, bailarina, coreógrafa e escritora, autora de Vida em movimento e Destino Arte: três gerações de artistas. Curitiba.)
“Li A vizinha das setes cordas e posso dizer que em cada conto a gente vê um pedacinho da vida, de si ou do outro. No entanto, o que mais me tocou foi o primeiro, ‘Nas nuvens’, porque nós passamos por uma mudança, não só de casa, mas de vida, e parece que você relata o que aconteceu conosco: a dificuldade das pessoas vendo a casa, que era resultado de uma vida de trabalho, a venda complicada, as pessoas pondo defeitos em tudo, no seu pomar, nas suas plantas. Enfim, é o que você escreveu, nova vida, novo jeito de viver. Parabéns, Hugo, pelo conto e pelo novo livro.”
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(Mariana Santiago, professora de inglês, tem inédito o livro de poemas e narrativas Escaminhos, teóricos e lancinantes. São Paulo.)
“Escrita poderosa de A vizinha das sete cordas, de Hugo Almeida. Um exemplo: a singeleza trazida no conto “Dona Justina”, como que sofre-guidão da vida, nas arestas do viver, em lampejo-fé-travessias. Crises são convocações. À altura do insólito presente. Caminho torto ainda é caminho. Desencontros são encontros. Desentendimentos são também entendimentos. O autor acertou em cheio: o café, os meneios da vida em entremeios, tortuosidades. Prosperar e retroceder. Faltas assoalham presenças. Usando contextos vidrentos ou não de café, o convite à leitura do livro todo, tomado desse fluxo de Dona Justina, em visão, proteção dos raios difusos da vida. Não necessariamente um livro, mas um poeta.”
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(Yone Fernandes, tradutora. São Paulo.)
“Belo livro [A vizinha das sete cordas]. A leitura é envolvente. Os contos são imagéticos e intrigantes, como pequenas viagens poéticas que não levam propriamente a destinos, mas a nuvens de possibilidades, inclusive a do não acontecimento e de um certo desconforto ou perplexidade diante da impermanência e ausência de sentido de tudo. Fiquei pensando que alguns desses contos poderiam se expandir em roteiros de filmes.”
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(Álvaro Cardoso Gomes, professor titular da USP, crítico literário e escritor, autor, entre outros livros, dos romances Panarquia, Os Rios Inumeráveis e O Poeta que fingia, dos contos Convenções do Insólito e do ensaio O simbolismo: uma revolução poética. São Paulo.)
“Venho me deliciando com a segunda leitura que faço deste seu intrigante e enigmático A Vizinha das Sete Cordas. O que dizer de uma escrita que contraria o espírito comum da comunicação, ou seja, interligar um Emissor e um Destinatário, dentro de um itinerário comum a ambos? Pois o que há em sua prosa – sempre contaminada pelo poético – é um introjetar-se em busca não de um sentido, mas, pelo contrário, de um não-sentido, teia de aranha em que se envolvem pobres seres tentando decifrar enigmas provocados por más leituras de signos, na aparência simples – gestos, sorrisos, encontros/desencontros, festividades, conversas de anônimos –enfim, tudo o que atrai o humano, para que se tenha certeza de que algum movimento – via de regra, o musical – indique o caminho da pretensa e inútil salvação, representada pela vivência em nuvens, pelo exílio em ilhas, numa tentativa incerta de devassar a si próprio e ao Outro. Em meio à leitura, fui-me deparando, com prazer, é claro, com referências a poetas de minha predileção, entre eles, os do simbolismo francês – Baudelaire e Mallarmé.”