Do pomar

Frases e trechos de livros de Hugo Almeida

  • “Hoje quem sai de casa tem de se preocupar com os riscos da rua. Há de tomar mil cuidados, indagar o horizonte, estudar o percurso, ainda mais à noite. Senão, pode cair numa via sem retorno. Em nada disso Vital pensou. Se pelo menos tivesse atentado aos detalhes do caminho e aprendido a não apostar o coração com o diabo, não teria mergulhado em aflição e medo.”


    (Início do conto “Ponto cego”, de A vizinha das sete cordas, de H.A.)

  • No próximo sábado, 23 de maio de 2026, vou lançar em São Paulo meu quinto livro de contos, A vizinha das sete cordas, publicado pela Sinete. O lançamento será no Canto Madalena, R. Medeiros de Albuquerque, 471, Vila Madalena, São Paulo, das 17 às 20h. São 15 contos escritos nos últimos 10 anos. Detalhes no site da editora, aqui.


    (Conto com a presença de amigas/os e novas/os leitoras/es.)

  • A Editora Sinete publica neste mês de maio de 2026 o meu quinto livro de contos, A vizinha das sete cordas, que será lançado no dia 23, um sábado, no Canto Madalena, R. Medeiros de Albuquerque, 471, Vila Madalena, São Paulo, das 17 às 20h. Gostaria de contar com a presença de vocês. Em Belo Horizonte, o lançamento será no segundo semestre, ainda sem data definida.


    (Clique aqui para saber detalhes de A vizinha das sete cordas.)

  • “Minha mãe, quantos sóis e quantas luas já rolaram sobre a tua ausência? / Quão doce era o teu seio / e meigo o coração! / Nem sequer um dia deixei / de murmurar teu nome.”


    (Vale das ameixas, de H.A.)

  • “Mãe, minha mãe, lágrima cristalizada.”


    (H.A., Vale das ameixas.)

  • “Sono, sonho – romance. Uma arquitetura, não decoração interna. Gente, personagens – nós. Alguma virtude, mais vícios. Literatura, pássaro livre. Nós de nós. Como desatar? É possível? Preciso? Romance não é outdoor: olhou, entendeu. Partida de xadrez também não. Cintila significados. Uma história da qual o leitor deve participar, navegar no texto e descobrir as elipses, o que o autor disse, mas não escreveu. História que cative e convença.”


    (H.A., Vale das ameixas.)

  • “Acompanhei noite após noite a evolução do meu Timo, seu crescimento físico, sua calma e doce alegria quando se aninhava no meu colo, quando gulosamente sugava meu leite. O que a mãe dá ao filho com o leite? Mais do que proteína, açúcar, lipídios. Deleite, aconchego, paz. Timo ficava tão feliz durante o aleitamento. Eu não era mais somente eu, nem ele só ele; éramos cada um um pouco o outro – eu-ele, um ser em estado de graça. Em seguida Harley caía no sono, no calmo seio, um sono de quase eter­nidade.”


    (Monólogo de Waclawa/Violeta, mãe de Harley/Timo, personagens de Vale das ameixas, de H.A.)

  • Mãezinha do Céu,

             Foi tudo rápido com o susto, a maior tristeza acontecida comigo em toda a minha vida e eu acho que para sempre. Duas dores bem grandes. O Carvalho chegou em casa mais cedo naquele dia com uma cara que eu nunca vi. Ele estava lívido, é assim mesmo que fala? Completamente mais esquisito do que é todo dia. Entrou daquele jeito e falou: ‘Você precisa viajar amanhã. Já comprei a passagem’. Antes que desse tempo para eu perguntar para onde e por que, ele emendou: ‘Sua mãe está passando mal’. E o mais esquisito de tudo é que ele me abraçou. Aí eu entendi – ou não entendi nada – e perguntei: ‘Está passando mal…só isso? Jura?’. Ele não respondeu e me largou. ‘Arrume as suas coisas, Níobe’.


    (Níobe, personagem de Mil corações solitários, de H.A., em carta à mãe.)