Uns toques

Citações para jovens escritores

  • “A poética da arte supõe a necessidade de muito estudo, um longo aprendizado, uma sólida formação e incansável prática. Ela compreende qualidades adquiridas. A arte se ensina, se aprende.”

    (Dante Tringali, em comentário de A arte poética de Horário, que ele também traduziu.)

  • “Um romance é um buraco negro que suga tudo. Mas ilumina a vida.”

    (Vale das ameixas, de H.A.)

  • “Mais duas palavras sobre romance, enquanto não morro. Uma narrativa não é detentora de significação, mas deflagradora de significações. O título de um romance – essa máquina complexa que não nasce de ovo nem útero – deve misturar as ideias, e não orientá-las. Escrever, triunfo da liberdade; solidão fraterna.”

    (Harley, o Timo, personagem e narrador de Vale das ameixas, de H.A.)

  • “Escrever é estar no extremo / de si mesmo, e quem está / assim se exercendo nessa / nudez, a mais nua que há, / tem pudor de que outros vejam / o que deve haver de esgar, / de tiques, de gestos falhos, / de pouco espetacular / na torta visão de uma alma / no pleno estertor de criar.”

    (João Cabral de Melo Neto, “Exceção: Bernanos, que se dizia escritor de sala de jantar”, Museu de Tudo.)

  • “O romance é com frequência a história de um indivíduo que busca um sentido que não há, é a odisseia de uma desilusão. Hegel, entretanto, acreditara e esperava que o romance fosse a nova epopeia burguesa. […] Antes que ‘epopeia moderna’, como queria Hegel, o romance moderno será a antiepopeia do desencantamento, da vida fragmentária e desagregada.”

    (Claudio Magris, “O romance é concebível sem o mundo moderno?”, A cultura do romance, org. Franco Moretti.)

  • “Eu queria reerguer, com amor e lucidez, o tempo da minha eternidade e, nele, tentar mover meus mitos, os heróis da minha infância, minha mitologia.”

    (Osman Lins, sobre O fiel e a pedra, em Marinheiro de primeira viagem.)

  • “O homem que conseguiu captar a sensação de eternidade que está espalhada por toda a Grécia e transpô-la para os seus poemas é George Seferiades, cujo pseudônimo é Seferis. Conheço o seu trabalho apenas de traduções, mas mesmo que jamais houvesse lido a sua poesia, saberia que este é o homem destinado a transmitir a chama sagrada.”

    (Henry Miller, O colosso de Marússia.)

  • “O primeiro romance em sentido próprio é o incomensurável Dom Quixote, que, segundo Dostoiévski, seria suficiente, sozinho, para justificar a humanidade aos olhos de Deus; a partir de seu modelo, séculos mais tarde, o romantismo inventa e codifica o romance como expressão por excelência da modernidade.”

    (Claudio Magris, “O romance é concebível sem o mundo moderno?”, A cultura do romance, org. Franco Moretti.)