Corações solidários

Comentários de leitores de H. A.

  • “Quinze narrativas que deixam no ar um enigma. É o que o leitor irá encontrar em A vizinha das sete cordas (São Paulo, Editora Sinete, 2026), de Hugo Almeida, que traz ainda um percuciente prefácio da escritora mineira Eltânia André, radicada em Lisboa, e textos de apresentação da poeta Lara Vaz-Tostes e do escritor e editor Whisner Fraga. São contos repassados de lirismo, que não trazem reflexões de um ensaísta, mas de um ficcionista-poeta, que procura fixar a solidão do homem e da mulher modernos, seus sonhos e perplexidades diante do mistério da vida.”

    (Adelto Gonçalves, “Contos repassados de lirismo”, Baía da Lusofonia.)

  • “Comecei a ler A vizinha das sete cordas (uma edição, aliás, primorosa). Gostei de todos os contos que li até agora. É surpreendente o jeito como você trata o material. Não são só ‘contos de enredo’, tradicionais. Você coloca tantos flashes, alguns verdadeiros versos, outros pura fotografia, que a gente vai mergulhando nos cenários e se sente como se estivesse vendo um filme, digamos… cubista. Para mim, está abrindo horizontes. Você está me mostrando que conto não precisa ser uma historinha começa-e-acaba. Pode conter bem mais do que isso, ser escrita de forma muito mais livre e poética. Que belo livro. Parabéns. [No fim do mesmo dia, terminada a leitura]: O que me surpreendeu em A vizinha foi mesmo a forma que você usou nos contos. Confesso que, no primeiro que li, perdi o fio da meada e tive de recomeçar a leitura. Não estava conseguindo entender. É que a sua proposta – e essa foi pra mim uma grata surpresa – exige da gente um tipo diferente de leitura da usual em contos (rápida e ‘horizontal’). Pede um tipo de leitura mais atenta às palavras, aos períodos, enfim, mais ‘vertical’. Quanto atentei pra isso, a leitura ficou tranquila, prazerosa. Entendi tudo.”

    (Alberto Mawakdiye, autor de vários livros, entre ele o de contos A garçonete de olhos de espantalho, lançado no último sábado, 8 de agosto de 2026, em São Paulo.)

  • “Hugo nos surpreende a cada novo lançamento. É um escritor que não abre mão da beleza da língua portuguesa e a explora para levar ao leitor suas histórias com a máxima densidade. É o caso de A Vizinha das Sete Cordas. Belíssimos contos para quem quer ficar dentro do universo de Hugo Almeida. Recomendo: não fique fora de sua criatividade.”

    (Luís Giffoni, autor do romance Linha de neve e de outros livros. Belo Horizonte.)

  • “Que texto profundo e lindo de análise de A vizinha das sete cordas o escritor e professor da USP Álvaro Cardoso Gomes escreveu!”

    (Alessandra Orsi, autora de Meridianos de Eva. Lindoia-SP.)

  • “Terminei de ler A vizinha das sete cordas. Bela surpresa ficou o conjunto de histórias com sua distribuição, a casa, o mundo e a memória afetiva que a tudo abarca (sem querer trocadilhos com canoas) e homenageia os que já se foram. O conto ‘Influxologia alemã’ pousou suavemente no conjunto e amplia e enriquece o repertório temático do livro. Fiquei muito impressionado com a qualidade dos textos do Whisner Fraga, da Eltânia André e da Lara Vaz-Tostes. Lara consegue dar conta da riqueza e variedade do livro na brevidade de uma orelha. O ensaio da Eltânia é outro primor. E, para terminar, o livro tem esta belíssima capa com o quadro do Klimt.”

    (Francisco de Morais Mendes, autor de A bala dos desarmados e outros livros. Belo Horizonte.)

  • “Intrigante e enigmático, A vizinha das sete cordas, apoiado num estilo minimalista, em que se fundem opções narrativas variadas, aprisionadas num texto em que se sobressaem tonalidades musicais bem específicas, é mais uma alta investidura de Hugo Almeida na criação de um mundo estranho, a representar o vazio, os sonhos ocos de pessoas despojadas daquilo que é essencial ao humano – o amor, a solidariedade, a mútua convivência, o diálogo.”

    (Álvaro Cardoso Gomes, professor titular da USP e escritor, autor dos romances Os Rios Inumeráveis, O Poeta que fingia e Panarquia, dos contos Convenções do Insólito e do ensaio O Simbolismo, uma Revolução Poética. Artigo sobre A vizinha das sete cordas publicado no site A Terra é Redonda em 18 de julho de 2026.)

  • “Li com imenso prazer o A vizinha das sete cordas! Acho que ainda não havia lhe dito desta forma: sua escrita atingiu o patamar da excelência; tomo o conto ‘O casal do farol’, como metonímia da coletânea, só pra ser urgente: eis aí a excelência materializada – forma, temática, condução narrativa, o trato da língua literária ombreando com os mestres. Puro encantamento, H.A. fazendo magias!”

    (Jeter Neves, autor de Fratura exposta, contos, e A língua da serpente e Vila Vermelho, romances. Belo Horizonte.)

  • “Só hoje pude me voltar com a merecida atenção aos textos de A vizinha das sete cordas. Confesso que me deixaram acima de tudo uma grande interrogação. A pergunta ‘Para onde vai o mundo?’, em ‘Canoa do tempo’ pode abarcar todo o mistério que se esconde ou se apresenta na maior parte dos contos. Fica-se, como na vida, a olhar pra dentro, à deriva, com perguntas sem respostas. Até mesmo o divertido ‘Influxologia alemã’ nos leva à questão atual mais incômoda, que para muitos de nós não tem resposta: como chegamos a um tempo em que verdades factuais são contestadas e mentiras absurdas validadas com entusiasmo ensandecido?

    Ironias finas pontuam os textos, como no imperativo ‘Parta, mamãe!’, de ‘O canto de Clarice’, uma das mais ácidas, além de verdades duras (‘A frase que mais dói é a mudez’, de ‘E depois desse desterro?’) ou delicadas, mas que, como tudo, têm seus ângulos (‘Quem mostra o coração voa’, mas ‘Quem revela o coração fica vulnerável’, de ‘O canto do sonho’). São páginas de boa literatura, em que é preciso voltar e voltar para apreender seus cristais nem sempre evidentes, como nas demais obras suas que li.”

    (Celia Demarchi, jornalista. São Paulo.)