Corações solidários

Comentários de leitores de H. A.

  • Mil corações solitários é um daqueles livros envolventes que não conseguimos parar de ler e que, quando acaba, sentimos saudades. As informações escritas aparentemente fora do contexto do romance são provocações críticas de uma sociedade desigual que me fizeram refletir que, apesar de ter sido escrito na década de 1980, continua sendo atual nos dias de hoje. A personagem Níobe é a mulher submissa, porém muito inteligente e que tem o consolo da mãe ao escrever cartas. Ela logo dá o grito de independência. Parabéns, Hugo, pelo livro, que já é um dos meus preferidos para reler num futuro próximo. Esse romance sempre terá leitores ávidos.”

    (Maria José de Araújo, a “Jô”, bancária aposentada. São Paulo.)

  • “Ler os livros de Hugo Almeida é um tempo de acumular riquezas e crescimento. Quando você começa a ler Mil corações solitários não quer parar. O conhecimento da alma humana e a vivência tão diferente dos personagens prendem sua atenção. A vida dos personagens é como um rio que vem juntando troncos, folhas e outras coisas pelo caminho que apenas tocam uns nos outros sem se juntarem. Eles vivem uma vida paralela. A personagem Níobe encontra na escrita de cartas para a mãe um consolo, procurando respostas para o que ela não entende. Mas isso é um apoio e serve de momentos dedicados a ela própria. Para saber mais tem que ler e curtir cada momento que aparece. Amei esse romance.”

    (Elza Fonseca, professora aposentada de Inglês. Belo Horizonte.)

  • “Quando li Mil corações solitários pela primeira vez, em 1988, eu tinha 37 anos. De lá pra cá são 38 anos. A história se passa da década de 1950 até os anos 80. O cenário daquele tempo. É uma história que me emocionou, uma mulher inicialmente tímida, Níobe, sensível e tão viva, que, em meio às limitações da época e circunstâncias, buscava a felicidade. Sofreu, cresceu, deu uma reviravolta na vida. É dos seus livros o que mais gostei e me impressionou. Eu sinto uma força vital nesse romance. Ele é inquieto, engajado, muito vivo, querendo viver. A vida das mulheres está mais fácil atualmente. Criaturas como a protagonista foram definindo uma ‘atmosfera’ mais feliz para os envolvidos na aventura da vida. A 4ª edição ficou linda. Parabéns a você e à editora.”

    (Jair Nascimento Filho, engenheiro, professor aposentado da UFMG. Belo Horizonte.)

  • “Li Mil corações solitários e ainda estou sob impacto por várias razões. Primeiramente, pela sua coragem em trilhar caminhos tão inovadores. Falo do conteúdo: um retrato realista de nossa sociedade patriarcal e doente (acho que não melhorou muito desde que você o escreveu, talvez tenha até piorado); mas falo sobretudo da estética, da forma em que essa história é narrada. O modo polifônico, no seu caso, me deu a impressão de que o livro se escreveu sozinho, você foi apenas o maestro que uniu numa só sinfonia uma pletora de instrumentos/vozes. Não posso deixar de citar a refinada reprodução de uma oralidade que surpreende o leitor pela sua verossimilhança. Abusando da metáfora musical, é como se os personagens executassem seus solos, enquanto as vozes dos outros permanecem presentes, mas caladas, como uma paisagem de fundo que ressalta a virtuosidade dos relatos.

    Lamento, por outro lado, ter lido logo em seguida os textos que acompanham a 4ª edição (primorosa, por sinal). Neles, senti-me roubado de tudo o que poderia dizer, pois as análises são de uma abrangência e precisão sem par.”

    (Mauro Pinheiro, escritor e tradutor. Autor de Cemitério de navios, Os caminhantes e Aquidauana, entre outros. Vive em Arles, França.)

  • Porto Seguro, outra história deveria estar em todas as escolas e bibliotecas públicas brasileiras. Por suas qualidades literárias em si, seu texto leve, porém pontuado de pequenas graças e ironias, a capacidade de surpreender o leitor, mas também pela riqueza de informações sobre a cidade histórica a que se refere. Através de suas páginas, o leitor descobre detalhes da complexa e dificultosa construção do charmoso cais e também da estrada que ligou Porto Seguro a Eunápolis e ao Brasil apenas nos anos 1940, mais de quinhentos anos após o pioneiro desembarque de Cabral. De quebra, ao falar dessas obras, Hugo Almeida resgata a inventividade das técnicas construtivas que as viabilizaram e aproveita para homenagear o trabalho coletivo, o verdadeiro construtor. Já a comparação da cidade, ainda mais naqueles tempos, com a Macondo de García Márquez é perfeita. A passagem me levou a uma crônica do autor colombiano em que ele diz que o Caribe é uma região, não geográfica, mas cultural, que vai do sul dos EUA ao norte do Brasil, uma ‘encruzilhada do mundo’, em que a realidade inspira a arte, mas esta, por mais inventiva, jamais logra superá-la.

    Enfim, o texto aponta para vários caminhos para leitores curiosos explorarem – história do Brasil, evolução de tecnologias, folclore, cultura nordestina e indígena, literatura e realismo mágico. Além do momento histórico (navio a vapor ainda no mar e aviões já no ar), Segunda Guerra Mundial e ditadura militar. O final é muito surpreendente. E deixa aberto todo um universo.”

    (Celia Demarchi, jornalista, São Paulo.)

  • “Quem quiser saber o que é um escritor de texto e não de contexto; de linguagem e não de bandeiras e militâncias, tem que ler Vale das ameixas. Uma obra no melhor e mais profundo sentido.”

    (Ronaldo Cagiano, “BH é cenário do novo livro de Hugo Almeida”, Estado de Minas.)

  • “Narrado na primeira pessoa e com um ritmo extremamente rápido, como se fossem anotações esparsas do protagonista, [Vale das ameixas] é um longo monólogo interior em que o fluxo de consciência escorre de forma prazerosa e é acompanhado, ao final, por intervenções igualmente em primeira pessoa de um filho legítimo (Zacarias) e de outro presumível (Túlio), feitas já depois de sua morte.

    A escolha do autor por um protagonista típico do romance lírico explica-se pelo seu conhecimento profundo da obra de Osman Lins, tema de sua tese de doutoramento em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), em 2005. Mas, obviamente, não se trata de um pastiche, ou seja, de uma imitação aberta do estilo de outros autores. […] Embora não se possa confundir o narrador-personagem com o autor, há na obra citações de vários nomes que já fizeram parte da vida ou intervieram com o escritor em épocas diversas, o que permite concluir que muitas das histórias são narradas por um alter ego, numa prosa que o escritor e editor Whisner Fraga, em texto publicado nas abas do livro, reputa como uma das ‘mais elegantes da literatura brasileira contemporânea’.”

    (Adelto Gonçalves,Vale das ameixas, um mergulho proustiano”.)

  • “Primeiro livro que eu li completo, simplicidade incrível.”

    (José Xavier do Nascimento Filho, ao avaliar com 5 estrelas Viagem à Lua de canoa, de H.A., na Amazon.)