Vale das ameixas/lírico

“Narrado na primeira pessoa e com um ritmo extremamente rápido, como se fossem anotações esparsas do protagonista, [Vale das ameixas] é um longo monólogo interior em que o fluxo de consciência escorre de forma prazerosa e é acompanhado, ao final, por intervenções igualmente em primeira pessoa de um filho legítimo (Zacarias) e de outro presumível (Túlio), feitas já depois de sua morte.

A escolha do autor por um protagonista típico do romance lírico explica-se pelo seu conhecimento profundo da obra de Osman Lins, tema de sua tese de doutoramento em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), em 2005. Mas, obviamente, não se trata de um pastiche, ou seja, de uma imitação aberta do estilo de outros autores. […] Embora não se possa confundir o narrador-personagem com o autor, há na obra citações de vários nomes que já fizeram parte da vida ou intervieram com o escritor em épocas diversas, o que permite concluir que muitas das histórias são narradas por um alter ego, numa prosa que o escritor e editor Whisner Fraga, em texto publicado nas abas do livro, reputa como uma das ‘mais elegantes da literatura brasileira contemporânea’.”

(Adelto Gonçalves,Vale das ameixas, um mergulho proustiano”.)


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