(Celia Demarchi, jornalista, São Paulo.)“Porto Seguro, outra história deveria estar em todas as escolas e bibliotecas públicas brasileiras. Por suas qualidades literárias em si, seu texto leve, porém pontuado de pequenas graças e ironias, a capacidade de surpreender o leitor, mas também pela riqueza de informações sobre a cidade histórica a que se refere. Através de suas páginas, o leitor descobre detalhes da complexa e dificultosa construção do charmoso cais e também da estrada que ligou Porto Seguro a Eunápolis e ao Brasil apenas nos anos 1940, mais de quinhentos anos após o pioneiro desembarque de Cabral. De quebra, ao falar dessas obras, Hugo Almeida resgata a inventividade das técnicas construtivas que as viabilizaram e aproveita para homenagear o trabalho coletivo, o verdadeiro construtor. Já a comparação da cidade, ainda mais naqueles tempos, com a Macondo de García Márquez é perfeita. A passagem me levou a uma crônica do autor colombiano em que ele diz que o Caribe é uma região, não geográfica, mas cultural, que vai do sul dos EUA ao norte do Brasil, uma ‘encruzilhada do mundo’, em que a realidade inspira a arte, mas esta, por mais inventiva, jamais logra superá-la.
Enfim, o texto aponta para vários caminhos para leitores curiosos explorarem – história do Brasil, evolução de tecnologias, folclore, cultura nordestina e indígena, literatura e realismo mágico. Além do momento histórico (navio a vapor ainda no mar e aviões já no ar), Segunda Guerra Mundial e ditadura militar. O final é muito surpreendente. E deixa aberto todo um universo.”
Deixe seu comentário