A voz dos sinos/o sagrado

Neste ensaio livre, bem pouco acadêmico […], não pretendo defender o ponto de vista de que Osman Lins fez apologia do sagrado com a literatura. Não. O sagrado em sua obra coexiste com os tormentos da vida na Terra. Tampouco o escritor foi irônico com o sagrado ou alguma religião, ao contrário de Sartre, por exemplo – o narrador de A náusea afirma: “Nas igrejas, à luz das velas, um homem bebe vinho diante das mulheres ajoelhadas”. O sagrado é tratado nos livros de Osman Lins com respeito e convive com os mistérios, as lutas e limitações da vida humana. Há muitos mistérios sagrados escondidos no que ele escreveu. Em literatura, esconder e ocultar não são sinônimos. Ocultar é impedir a visão para sempre. Esconder é despertar o interesse pela busca, pela descoberta.”


(H.A., “Elos sagrados, laços femininos e amorosos”, Apresentação do ensaio A voz dos sinos – O sagrado, a mulher e o amor na obra de Osman Lins.)