“Amanheci tonto. Sonhos confusos, desconexos. Colegas professores fora da escola eu a um canto distante diálogo de papagaios camarões gigantes contorcendo-se resistindo ao gelo policiais broncos outros gentis não sei onde eu estava padre de amarelo-fechado em pé numa roda falante como se fosse o treinador de uma equipe de futebol no intervalo enorme pátio coberto de nuvens cinzas. Nada com nada. Depois um banco de madeira que alguém – eu (por quê eu?) – tinha de cuidar noite e dia num parque ou jardim, não sei onde – flores, terra, sujeira, lodo, ninguém podia sentar. Levantei sem saber o dia, que só veio no café: hoje Léa vem almoçar comigo. A lembrança me acendeu, me ascendeu.”
(Harley/Timo, personagem e narrador de Vale das ameixas, de H.A.)