Citações de diversos autores
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“Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.”
(Machado de Assis, “Missa do Galo”, Páginas recolhidas.) -
“Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina: ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-nozes…), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas ‘loucuras’: – Bom, no Natal, quero comer peru.”
(Mário de Andrade, “O peru de Natal”, Contos novos.) -
“Luther está deitado, sem pensar em nada, consciente apenas dos ruídos à sua volta, de que respira e de que sente as pulsações do coração. Deitada junto de si acha-se a mulher, voltada sobre o lado direito e fruindo o prazer do sono. Merece-o, porque, rigorosamente falando, é manhã de Natal, e na véspera trabalhou todo o dia como uma escrava: preparou o peru, cozinhou e só há algumas horas acabou de enfeitar a árvore.”
(J. O’Hara, Encontro em Samarra.) -
Veja o Retábulo de Osman Lins, organizado por Elizabeth Hazin, no Recife, pelos 100 anos de nascimento do escritor.
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“Meu papagaio alto, intrigando as pessoas, tão original quanto o do pastoril, enquanto outro, vermelho, dele se aproxima. Em redor de mim, olhando-o por condescendência, meus parentes, a quem chamei. Nem uma vez proferem, em meu louvor, as palavras que tão grato me seria ouvir. Isto não me rompe a exaltação: sinto que os venci, erguendo sobre a indiferença deles o objeto novo, impossível de gerar-se em seus espíritos.”
(Osman Lins, “Pentágono de Hahn”, Nove, novena.) -
“Albert Einstein, quando ficava empacado com a teoria da relatividade, pegava seu violino e tocava Mozart, o que o ajudava a se reconectar com as harmonias do cosmos.”
(Walter Isaacson, em Leonardo da Vinci.) -
“No oitavo livro da Odisseia, lê-se que os deuses tecem desgraças para que às futuras gerações não falte o que cantar; a afirmação de Mallarmé ‘O mundo existe para chegar a um livro’ parece repetir, uns trinta séculos depois, o mesmo conceito de uma justificação estética dos males.”
(Jorge Luis Borges, “Do culto dos livros”, Outras inquisições.) -
“O romance sempre vai apresentar-se como fruto do desajuste e da crítica social, e o narrador, como aquele que levanta as provas para julgar.”
(Ronaldo Costa Fernandes, em O narrador do romance)