Citações de diversos autores
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“Acabo de ler agora os nove contos [incluídos em Laços de família] que não conhecia; você não imagina como gostei; saio meio crispado da leitura. […] É engraçado como você me atinge e me enriquece ao mesmo tempo que faz um certo mal, me faz sentir menos sólido e seguro. Leio o que você escreve com verdadeira emoção e não resisto a lhe dizer muito e muito obrigado por causa disso.”
(Rubem Braga, em carta a Clarice Lispector, citada por Claire Varin em Línguas de fogo.) -
“Precisamos de livrarias. Precisamos de mais bibliotecas. Precisamos expor as pessoas ao contato com livros. Precisamos de futuro para o nosso povo. Só pode haver futuro com livros e leitura, com mais arte e educação para todos.”
(Elizete Lisboa, História afetiva de leitores e bibliotecas em Belo Horizonte, org. Cleide Fernandes et alii.) -
“O pássaro,
essa página branca,
voa.
O deserto,
uma língua de areia.”
(Micheliny Verunschk, “Deus”, Geografia íntima do deserto.) -
“O contista, romancista, autor teatral e ensaísta, Osman Lins sempre nos pareceu consciente do significado da missão do escritor questionando seu papel numa sociedade de consumo e, especificamente, na América Latina. Ao mesmo tempo, procurava novos recursos expressivos e uma marca individual para suas obras. Com isto, consolidou a pesquisa iniciada no Modernismo, trazendo novas possibilidades ao fazer literário. […] Osman Lins definia-se como homem mítico, a narrativa era, para ele, uma cosmogonia, arte, exploração coletiva do universo artístico.”
(Bella Jozef, O jogo mágico.) -
“O último dia do ano
(Carlos Drummond de Andrade, “Passagem do ano”.)
não é o último dia do tempo.
[…]
O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus…” -
“Musicar
(Carlos Rodrigues Brandão [1940-2023], de poema transcrito na dedicatória de Integração social pela educação, organizado por Simone de Magalhães Vieira Barcelos et alii.)
Senhor,
faz de mim
um instrumento
de tua música.
Onde há silêncio
que eu leve o si.” -
“O mar e eu falamos atentamente.
(Laura Carrillo Palacios, Fragor.)
É um diálogo ameno, quase imperceptível.
Ele não acredita muito que eu o possa entender,
Como se afinal não fôssemos ambos a mesma coisa,
A mesma poção divina derramada
Em dois estados diferentes.” -
“Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.”
(Machado de Assis, “Missa do Galo”, Páginas recolhidas.)