Uns toques

Citações para jovens escritores

  • “…depois do senso do real, há a personalidade do escritor. Um grande romanista deve ter o senso do real e a expressão pessoal.”

    (Emile Zola, Do romance.)
  • “O homem que remove a terra acumulada sobre uma civilização e interroga as suas ruínas assemelha-se aos que, recusando o mundo inesgotável, curvam-se ante uma obra de arte e tentam penetrá-la. A diferença entre um e outro é que a civilização exumada talvez se esgote um dia.”

    (Osman Lins, A rainha dos cárceres da Grécia.)
  • “Jamais atiramos a esmo, para o ar, sem saber por quê. Assim, quando você ouvir um autor falando em ‘inspiração’ e outras palavras gastas, desconfie dele. Também desconfie quando o ouvir afirmar que escreve para encher as horas. Torça a cara, dobre a esquina ou salte de lado quando souber que o livro foi escrito por um homem de alta posição. Porque ele deve estar atirando para cima. Ou contra você.”

    (Osman Lins, Evangelho na taba.)
  • “Não escrevi este livro ou qualquer outro inspirado pelos deuses. Custou-me dois anos e meio de interrogações, estudo e esforço.”

    (Osman Lins, Guerra sem testemunhas.)
  • “O ficcionista não disserta a respeito do que sabe ou pensa do universo: faz com que o contemplemos. Hipérboles do real, a recordação em Marcel Proust, as situações de Franz Kafka ou a factícia baleia de Melville ultrapassam a experiência do leitor, imerso numa realidade cuja natureza, ao invés de ser apenas entendida, penetra-o. O real, longe de ser negado, é por esse meio iluminado.”

    (Osman Lins, Guerra sem testemunhas.)
  • “A partir da leitura de A metamorfose, a literatura se tornou para mim uma coisa muito valiosa, muito especial. E Crime e castigo me ensinou, além da história gigantesca ali contada, que a leitura era a maneira mais barata de viajar. Lendo aquilo eu estava em plena Rússia, o livro coloca você dentro de um cortiço na Rússia. Ler era uma forma de sair de onde eu estava.”

    (Francisco de Morais Mendes, História afetiva de leitores e bibliotecas em Belo Horizonte, org. Cleide Fernandes et alii.)
  • “Toda obra literária essencialmente é uma procura. […] Romance, autobiografia, ensaio, não existe obra literária válida que não seja essa procura.”

    (Simone de Beauvoir, citada por Osman Lins em Guerra sem testemunhas.)
  • “A cada ponto

    o traço inteiro

    entrego

    Na roca enredo

    o meu xadrez

    da troca.”

    (Eliane Faccion [1949-2023], “Tecelã”, poema inédito.)