“O Carvalho continua igual. Mudo e um homem estranho. Todo secreto. A única novidade é que comprou um aquário com uns peixinhos, às vezes fica um tempão olhando, meio longe. Não posso falar mais do que isso dele. Ainda bem que tem o Renezinho para alegrar os meus dias. Veja essa dele. ‘Mãe, o que é mansumilde?’ ‘Onde você ouviu isso, meu filho?’ ‘É lá na escola que a gente reza. Assim, quer ver: Meu Jesus mansumilde de coração fazei meu coração semelhante ao vosso.’ Eu ri; ele brigou. “Por que a senhora está rindo, contei piada porum-acaso?’ Fiquei séria e expliquei: ‘São duas palavras, René: manso e humilde, quer dizer bom e que não se considera importante.’ ‘E Jesus não era importante não?’ Tive de explicar tudo de novo mas ele não esperou eu terminar e falou ‘tá, tá, já entendi’. Depois, outro dia, ele chegou perto de mim e perguntou: ‘Mamãe, o papai é manso e humilde?’.”
(Níobe, personagem de Mil corações solitários, de H.A., em carta à mãe.)