A vizinha/instigante

“Venho me deliciando com a segunda leitura que faço deste seu intrigante e enigmático A Vizinha das Sete Cordas. O que dizer de uma escrita que contraria o espírito comum da comunicação, ou seja, interligar um Emissor e um Destinatário, dentro de um itinerário comum a ambos? Pois o que há em sua prosa – sempre contaminada pelo poético – é um introjetar-se em busca não de um sentido, mas, pelo contrário, de um não-sentido, teia de aranha em que se envolvem pobres seres tentando decifrar enigmas provocados por más leituras de signos, na aparência simples – gestos, sorrisos, encontros/desencontros, festividades, conversas de anônimos –enfim, tudo o que atrai o humano, para que se tenha certeza de que algum movimento – via de regra, o musical – indique o  caminho da pretensa e inútil salvação, representada pela vivência em nuvens, pelo exílio em ilhas, numa tentativa incerta de devassar a si próprio e ao Outro. Em meio à leitura, fui-me deparando, com prazer, é claro, com referências a poetas de minha predileção, entre eles, os do simbolismo francês – Baudelaire e Mallarmé.”

(Álvaro Cardoso Gomes, professor titular da USP, crítico literário e escritor, autor, entre outros livros, dos romances Panarquia, Os Rios Inumeráveis e O Poeta que fingia, dos contos Convenções do Insólito e do ensaio O simbolismo: uma revolução poética. São Paulo.)


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