“A vizinha”/horizontes

“Comecei a ler A vizinha das sete cordas (uma edição, aliás, primorosa). Gostei de todos os contos que li até agora. É surpreendente o jeito como você trata o material. Não são só ‘contos de enredo’, tradicionais. Você coloca tantos flashes, alguns verdadeiros versos, outros pura fotografia, que a gente vai mergulhando nos cenários e se sente como se estivesse vendo um filme, digamos… cubista. Para mim, está abrindo horizontes. Você está me mostrando que conto não precisa ser uma historinha começa-e-acaba. Pode conter bem mais do que isso, ser escrita de forma muito mais livre e poética. Que belo livro. Parabéns. [No fim do mesmo dia, terminada a leitura]: O que me surpreendeu em A vizinha foi mesmo a forma que você usou nos contos. Confesso que, no primeiro que li, perdi o fio da meada e tive de recomeçar a leitura. Não estava conseguindo entender. É que a sua proposta – e essa foi pra mim uma grata surpresa – exige da gente um tipo diferente de leitura da usual em contos (rápida e ‘horizontal’). Pede um tipo de leitura mais atenta às palavras, aos períodos, enfim, mais ‘vertical’. Quanto atentei pra isso, a leitura ficou tranquila, prazerosa. Entendi tudo.”

(Alberto Mawakdiye, autor de vários livros, entre ele o de contos A garçonete de olhos de espantalho, lançado no último sábado, 8 de agosto de 2026, em São Paulo.)


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