“Li a resenha que o Álvaro Cardoso Gomes escreveu de A vizinha das sete cordas. Que coisa impressionante. Gostei demais. Tenho gostado cada vez mais desse portal, A Terra é Redonda. Admirável. A resenha me fez perceber coisas do livro que também me ficaram muito fortes. Achei especialmente interessante essa ideia do ‘dentro’ e do ‘fora’ como espaços que, no fundo, revelam a mesma espécie de vazio e de desencontro. E também essa recorrência da viagem, da fuga, dos deslocamentos, como se os personagens estivessem sempre procurando alguma coisa que talvez nem saibam nomear.
Talvez o que mais tenha me chamado a atenção no livro seja justamente essa combinação entre a economia da escrita e a densidade simbólica. Tudo parece muito simples na superfície, mas quase sempre há alguma coisa escondida por trás do gesto, do objeto, da situação. Lendo, fiquei várias vezes com a sensação de que era preciso voltar ao conto para tentar enxergar melhor o que estava acontecendo.
E acho que isso estabelece uma continuidade muito bonita com o que já tinha percebido no romance Vale das ameixas. Mas senti aqui uma escrita ainda mais depurada, mais concentrada, quase musical, e uma construção muito consciente dos contos como pequenas máquinas de estranhamento. Gostei muito também da parte final, com Osman Lins, Clarice e Bandeira, porque ali aparece de maneira muito interessante a relação do autor com a própria literatura, com os escritores e com a construção das narrativas.”
(Faustino Rodrigues, psicanalista e escritor. Ele vai lançar neste ano o romance Nós, o silêncio. Belo Horizonte.)
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