“A vizinha”/enigmas

“Acabei agora de ler o seu A vizinha das sete cordas. Gostei da unidade do estilo. As elipses e enigmas me deixaram às vezes no ar. Gostei muito do conto ‘Nas nuvens’ [o primeiro do livro] e da homenagem a Manuel Bandeira em ‘O poeta e a estrela da manhã’ [o último]. Parabéns! [Três dias depois]: Reli hoje alguns contos e o prefácio de Eltânia André, ‘Por quem as cordas vibram’; me dei conta de que não me exprimi bem na minha mensagem quando disse que me sentia no ar. Senti o que a autora do prefácio soube definir muito bem e que define bem o estilo dos seus contos: ‘Objeto contraintuitivo que surpreende e atrai pelo desafio, em que o interior e o exterior apontam para uma instância não delimitada; na escrita de Hugo Almeida o dentro e o fora emergem como enigmas. Coloca diante do leitor um campo gravitacional de especulações, no qual não há respostas nem saídas imediatas, mas um permanente questionamento e um contínuo desvendar […] de silêncios e evasões que falam mais do que o enunciado’ (chave elíptica/concisão e economia de meios estilísticos e semânticos – escrita enxuta e poética). Foi o que eu senti e não soube expressar.”

(Paula Barbosa, professora. São Paulo.)


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