Citações de diversos autores
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“Será então impossível aos homens viverem em paz neste mundo tão belo debaixo deste incomensurável céu estrelado? Como podem eles, num lugar como este, guardar sentimentos de ódio e de vingança e a ânsia de destruir seus semelhantes? Todo o mal que há no coração humano devia desaparecer ao contato com a natureza, esta é a expressão mais imediata do belo e do bom.”
(Leão Tolstói, em trecho de A invasão citado por Henry Thomas/Dana Lee Thomas, em Vidas de grandes romancistas. Esse livro de contos, “seu primeiro grito de protesto contra o militarismo”, foi publicado em 1852, quando Tolstói estava com 24 anos.) -
“Este romance nasce sob o signo da beleza angustiada: é, por isso, moderno como a busca do belo e eterno como a angústia do homem – sobretudo do homem que vem escorraçando a sua e as alheias vidas.”
(Antônio Houaiss [1915-1999], na orelha de Cemitério de navios [1993], de Mauro Pinheiro.) -
“Temos, em Avalovara, uma interação que, para ser completa, exige também a participação do leitor: o conhecimento das obras de arte aqui mencionadas, fator que o ajudará a viver o livro mais completamente, mais profundamente. Podemos ver, então, o momento almejado por Osman Lins na escritura do seu romance mágico: tornar a vivência do leitor extremamente intensa graças à integração das artes, tão intensa que possa ser que se dê o momento de iluminação por intermédio do deus-palavra-pássaro Avalovara, deixando que também em nós ele voe e cante em duo, com voz humana e repassada de misericórdia.”
(Piotr Kilanowski, “Avalovara de Osman Lins: o escritor em busca do romance interativo e total”. Cerrados nº 7, Revista do Programa de Pós-Graduação em Literatura da Universidade de Brasília, UnB, 1998.) -
“se ao tocar na água a penumbra fizesse música/ seria a minha”
[…]
“creio no toque dos cegos, em como conjuram o vento/ como pele”
[…]
“a delicadeza ainda me devorará””
(Mar Becker, Noite devorada.) -
“Nos últimos cinquenta anos, a vitalidade de nosso pensamento intelectual trouxe ainda uma leva grande de críticos que conseguiram não somente introduzir conceitos novos para tempos novos, mas também de movimentar uma metacrítica à nossa crítica, reformulando nossas teses e tornando nossa visão mais clara sobre alguns assuntos distantes no passado. Entre os que estão neste lugar, certamente João Adolfo Hansen poderia ser chamado de um dos mais brilhantes que conhecemos.”
(Guilherme Rodrigues, “João Adolfo Hansen (1942-2026)”, A Terra é Redonda.) -
“Um romance não é um arabesco no ar, feito por um ser sem alma e sem história, para divertimento de requintados. É uma coisa viva, nascida de nós, do nosso país, do tempo em que vivemos, e na qual aplicamos tudo o que somos e também o que não somos. É, a um só tempo, pergunta e confissão, incitação e apelo, causa e consequência.”
(Osman Lins, em entrevista em 1962, transcrita em O fiel e a pedra, de Osman Lins – O Nordeste de 30: entre a tradição clássica e o romance moderno, organizado por Sandra Nitrini.) -
“Papéis, carimbos, caixão de madeira e um punhado de terra por cima. Além da saudade, ele nos deixara endividados. Não será a saudade também uma espécie de dívida?”
(Mauro Pinheiro, “A nau insensata”, Os caminhantes e outras histórias.) -
“Onde o homem sofre e luta, aí está o assunto do escritor.”
(Érico Veríssimo, A liberdade de escrever.)