Citações de diversos autores
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“Não, eu não era sozinho no mundo: tinha milhares de amigos e o infalível respaldo de opulenta família.”
(Ewelson Soares Pinto, A crônica do Valente Parintins.) -
“O coração humano desconhece repouso.”
(Henriqueta Lisboa, “As provações”, Montanha viva – Caraça.) -
“Alguns críticos afirmam que o Machado de Assis é um romancista puramente introspectivo, indiferente ao que se passa em redor de si e dos seus personagens. Mas há também quem pense que ele é antes do romancista, psicólogo, ‘o que não é a mesma coisa’, conforme nos diz, com razão, o prof. Roger Bastide. Ora, esse contraste entre um introspectivo e o psicológico é o que nos permite avaliar o verdadeiro alcance social da obra de Machado de Assis. O introspectivo a limita sua pesquisa ao indivíduo em si mesmo, isolando-o das relações sociais; já o psicólogo incide a sua prospecção sobre o indivíduo, membro de um grupo, de uma classe, de uma coletividade. Para o psicólogo, o indivíduo é um tipo representativo, que vive e se comporta na ficção como encarnação típica do grupo, da classe ou da coletividade que pertence. E é isso principalmente que confere caráter social à obra do ficcionista.”
(Astrojildo Pereira, Machado de Assis, ensaios e apontamentos avulsos.) -
“Viva imaginação, delicadeza e força de sentimentos, graças de estilo, dotes de observação e análise, ausência às vezes de gosto, carências às vezes de reflexão e pausa, língua nem sempre pura, nem sempre copiosa, muita cor local, eis aqui por alto os defeitos e as excelências da atual literatura brasileira, que há dado bastante e tem certíssimo futuro.”
(Machado de Assis, “Notícia da atual literatura brasileira: Instinto de nacionalidade”, 1873.) -
“O escritor é um desdobramento do homem. Em Machado de Assis, coexistem e completam-se o analista rigoroso e frio e o criador empolgante. O seu método de composição é um misto de cálculo e de espontaneidade: a trama da ficção, o desenvolvimento das situações, o encadeamento dos episódios, o desenho dos caracteres, a reação psicológica dos personagens, o desenlace dos conflitos – tudo isso se processa obedecendo a cálculos minudentes e seguindo ao mesmo tempo uma linha de absoluta espontaneidade na fixação da narrativa no papel. Era o que ele próprio chamava o método da palavra-puxa-palavra; mas palavra-puxa-palavra dentro de limites dispostos com exatidão.”
(Astrojildo Pereira, Machado de Assis, ensaios e apontamentos avulsos.) -
“Avalovara é um romance que propõe e estimula uma leitura criativa. Nele o leitor pode desfrutar o prazer da descoberta ao se deixar surpreender pelo novo. Essa novidade abrange, simultaneamente, a matéria e a estrutura do livro. Isso quer dizer que aciona realidades estranhas à nossa rotina cotidiana numa forma narrativa que também é pouco usual. Nesse sentido ele pode, para alguns, parecer obscuro. Cabe, no entanto, indagar em que consiste essa obscuridade.”
(Modesto Carone, “Avalovara: precisão e fantasia”, prefácio da edição alemã do romance de Osman Lins, transcrito em Osman Lins: o sopro na argila, org. H.A.) -
“A invenção de Morel (cujo título alude filialmente a outro inventor ilhéu, Moreau) transporta para nossas terras e para o nosso idioma um gênero novo. Discuti com o autor [Adolfo Bioy Casares] os pormenores da trama e a reli; não me parece uma imprecisão ou uma hipérbole qualificá-la de perfeita.”
(Jorge Luis Borges, “Prólogo” do romance do amigo argentino.) -
“A literatura não pode ser reduzida a um projeto pedagógico. […] A literatura não é um projeto pedagógico, não é uma proposta didática, embora os professores muitas vezes usem magnificamente em sala de aula. […] Mas a literatura é arte, ela se faz num outro jogo da palavra, que é o jogo da criação, e vê o quê que a linguagem pode ter, significando várias coisas ou despertando no leitor outros sentidos que às vezes nem o que o autor pretendeu. A linguagem literária é uma linguagem rica que trabalha com sentidos diversos, com ritmo, com a musicalidade, tem o jogo de imagens. Enfim, tudo que caracteriza a literatura e que vai muito além só de ensinar.”
(Ana Maria Machado, autora de dezenas de livros, membro da Academia Brasileira de Letras, no Roda-Viva da TV Cultura de São Paulo, em 13 de julho de 2026.)