Bem no alvo

Citações de diversos autores

  • “A arte é moderna através da mimese do que está petrificado e alienado. É assim, e não pela negação do seu mutismo, que ela se torna eloquente; eis por que não tolera já nenhuma inocência.”.

    (Theodor Adorno, Teoria estética.)
  • “A literatura de Clarice é um recado para os homens.”

    (Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira, Siameses, volume 1.)
  • “A ditadura ainda é uma ferida aberta na nossa vida brasileira.  […] A ditadura ainda está muito presente no cotidiano brasileiro. Por isso, temos que continuar fazendo filmes sobre ela.”

    (Wagner Moura, Globo de Ouro de Melhor Ator em 2026, pela atuação em O agente secreto.)
  • “Sei que, na sua posição como ex-membro do corpo diplomático, é impossível admitir a participação dos EUA no desaparecimento do embaixador russo [Ilya Tchernyschov], relatado em meu texto. Quem sabe um dia, se os arquivos da CIA forem publicados, tenhamos os fatos revelados.

    Valey Larskov, o funcionário da Embaixada que acompanhava o embaixador russo na entrada no mar, desapareceu no mesmo dia, não tendo sido encontrado seu corpo, o que dá ensejos às conjecturas traçadas no texto.

    Da mesma forma, há inúmeros documentos que provam a participação direta ou indireta dos EUA no golpe que derrubou João Goulart.”

    (Paulo Valente, filho de Clarice Lispector, em carta a Lincoln Gordon, ex-embaixador dos EUA no Brasil, transcrita em A morte do embaixador russo.)
  • O último dia do ano

    não é o último dia do tempo.

    Outros dias virão

    e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.

    Beijarás bocas, rasgarás papéis,

    farás viagens e tantas celebrações

    de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e

    coral,

    que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,

    os irreparáveis uivos

    do lobo, na solidão.

    ***

    O último dia do tempo

    não é o último dia de tudo.

    Fica sempre uma franja de vida

    onde se sentam dois homens.

    Um homem e seu contrário,

    uma mulher e seu pé,

    um corpo e sua memória,

    um olho e seu brilho,

    uma voz e seu eco,

    e quem sabe até se Deus…”

    (Carlos Drummond de Andrade, “Passagem de ano”, A rosa do povo.)

  • Os pequenos continuavam dormindo.

    Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo.

    Papai Noel voltou de manso para a cozinha,

    Apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.

    Na horta, o lugar de Natal abençoava os legumes.”

    (Carlos Drummond de Andrade, “Papai Noel às avessas”, Alguma poesia.)

  • “Suas mãos apalpavam suas roupas, remexendo-as, virando-as pelo avesso, jogando-as para o alto, trocando-as de lugar, fazendo com elas todo tipo de extravagância.

    – Nem sei o que faço! – exclamou ele, rindo e chorando ao mesmo tempo, enrodilhado por suas meias compridas. – Sinto-me leve como uma pluma, feliz como um anjo e alegre feito um menino. Estou eufórico como um bêbado. Um feliz Natal para todos! Um feliz Ano-Novo para o mundo inteiro! Viva! Iiiiipi-hurra!”

    (Charles Dickens, Um conto de Natal.)
  • “O excesso de misericórdia encoraja a transgressão, e um segundo crime nasce sempre do perdão.”

    (Shakespeare, Medida por medida.)