Bem no alvo

Citações de diversos autores

  • “Sou essa terra de ossos.

    Trago o sangue seco nos olhos.

    Nada me falta, nada tenho,

    minhas raízes perfuram como facas

    a carne das montanhas.”

    (Guiomar de Grammont, “Ouro Preto”, Mais pesado que o ar.)
  • “Os textos, de certo modo, existem antes que sejam escritos. Vivemos imersos em textos virtuais. Minha vida inteira concentra-se em torno de um ato: buscar, sabendo ou não o quê. Assemelham-se um pouco às de um desmemoriado minhas relações com o mundo. Caço, hoje, um texto e estou convencido de que todo o segredo da minha passagem no mundo liga-se a isto.”

    (Osman Lins, Avalovara.)
  • “Sim. Este é um livro raro [Guerra sem testemunhas]. Pela qualidade, penetração e contundência da reflexão que ele encerra. Na literatura brasileira, nunca antes se escreveu sobre os problemas que o escritor enfrenta – os dilemas, as condições precárias contra as quais navega – com tanta virulência, com tanta dignidade, e, às vezes, com amargo entusiasmo. […] Realmente notável é o fato de que Osman Lins não se contenta em identificar os problemas, em refletir sobre as adversidades e suas repercussões culturais, estéticas e sociais no contexto particular da literatura brasileira; não se limita apenas a realizar, em resumo, a crítica – o que já seria uma contribuição importante. Vai além: aponta caminhos, esboça soluções, projeta estratégias.[…] Ao avançar na leitura de Guerra sem testemunhas, o leitor reconhecerá outros elementos que confirmam a singularidade do livro: a coragem de debater num período tão conturbado de nossa história política [a primeira edição saiu em 1969 e a segunda em 1974, portanto durante a ditadura militar]; o entrecruzamento radical, e inédito, entre ensaísmo e ficção; a visão que o escritor elabora, apresenta os problemas sob ângulos absolutamente particulares; e, ainda acrescentaria, um completo despojamento dos cacoetes característicos da teoria e da crítica de época.”

    (Fábio Andrade, na Apresentação “Outras notícias do front” da 3ª edição de Guerra sem testemunhas, Cepe/Editora UFPE, 2024.)
  • “O excesso de misericórdia encoraja a transgressão, e um segundo crime nasce sempre do perdão.”

    (Shakespeare, Medida por medida.)
  • “O poeta

    É um condutor de almas

    Lava as palavras

    De nada

    Depois seca

    As lágrimas no varal”

    (Vicente Humberto, “Poeta”, Caixa de vazios.)
  • “a leveza

    na gente

    quer quanto

    esforço da gente”

    (Harley Dolzane, “Desprendimento”, Gesto.)
  • “É muito provável que ao leitor de Avalovara (1973) não sejam perceptíveis, em seu primeiro contato com o texto, os muitos níveis de leitura que encerra, pois este é um romance que somente muito lentamente, de forma gradativa, vem a tornar-se legível, na medida em que se entende legível, aqui, como significativo.”

    (Elizabeth Hazin, “Avalovara em letra e asa: abrindo uma clareira nas trevas”, posfácio da nova edição de Avalovara, Pinard, 2024.)
  • “A liberdade de um escritor é a sua pobreza. Ele depende apenas de um lápis. Nem de papel ele necessita. Os muros das prisões estão cheios de palavras, de coisas escritas, de expressões humanas […] A literatura é pobre, essa é a sua arma.”

    (Osman Lins, Evangelho na taba.)