Uns toques

Citações para jovens escritores

  • “A novela [ou conto] lembra o problema que consiste em colocar uma equação a uma incógnita; o romance é um problema de regras diversas que se resolve através de um sistema de equações com muitas incógnitas, sendo as construções intermediárias mais importantes que a resposta final. A novela é um enigma; o romance corresponde à charada ou ao jogo de palavras.”

    (Boris Eikhenbaum, citado por Nádia Battella Gotlib em Teoria do conto.)

  • “Será o amor, em nosso tempo, um instrumento em vias de desaparecer? Só a palavra amor sobrevive ainda? O que será de tudo, se também nos arrancam a força de amar? A alegria de amar? A raiva de amar?”

    (Osman Lins, Avalovara.)

  • “A mentira não recua diante do trágico. Do mesmo modo que a sociedade total não suprime o sofrimento de seus membros, mas registra e planeja, assim também a cultura de massa faz com o trágico. Eis por que ela teima em tomar empréstimos à arte.”

    (Adorno/Horkheimer, Dialética do esclarecimento.)

  • “Não é só da brevidade e da impressão total que surge a boa história ou conto. Anton Tchekhov exige nela ‘brevidade, e algo que seja novo’. E também força, clareza e compactação. Assim, o texto deve ser claro – o leitor deve entender, de imediato, o que o autor quer dizer. Deve ser forte – e ter a capacidade de marcar o leitor, prendendo-lhe a atenção, não deixando que entre uma ação e outra se afrouxe esse laço de ligação. O excesso de detalhes desorienta o leitor, lançando-o em múltiplas direções. E deve ser compacta – deve haver condensação dos elementos. Tudo isso com objetividade.”

    (Nádia Battella Gotlib, Teoria do conto, recém-reeditado pela Autêntica, ampliado com novos capítulos.)

  • “livre-arbítrio, meu amigo, deus é silêncio e discrição”

    (Whisner Fraga, O privilégio dos mortos.)

  • “Outro depoimento da extraordinária humanidade de Mário? ‘É preciso acabar com esse individualismo orgulhoso que faz de nós deuses e não homens. Hoje sou muito humilde. Meu maior desejo é ser homem entre os homens. Transfundir-me. Amalgamar-me. Ser entendido. Sobre tudo isso.”

    (Maria de Lourdes Teixeira, “Autorretrato de Mário de Andrade”, Esfinges de papel.)

  • O calendário é uma rede no ar, o calendário caça o ar como se existissem borboletas de ar. Veja: o barqueiro segue o rio, da cabeceira à foz. Segue e está presente, no curso da viagem, em todos os pontos do percurso. Pode, em momentos privilegiados, ter a visão simultânea – não da viagem toda: a tanto não alcança – de alguns segmentos da viagem. Incursões.”

    (Osman Lins, Avalovara.)

  • No dia 8 de maio, uma quinta-feira, H.A. vai participar da Bienal Mineira do Livro deste ano de 2025, ao lado de Nádia Battella Gotlib, na mesa “Clarice Lispector e Osman Lins: memória e influências”, com mediação da escritora e psicanalista Ana Cecília Carvalho. Será no Centerminas Expo, no auditório Riobaldo, a partir das 15 horas.

    (Veja aqui a programação da Bienal do Livro, de 3 a 10 de maio, em Belo Horizonte.)