Uns toques

Citações para jovens escritores

  • “Toda obra literária essencialmente é uma procura. […] Romance, autobiografia, ensaio, não existe obra literária válida que não seja essa procura.”

    (Simone de Beauvoir, citada por Osman Lins em Guerra sem testemunhas.)
  • “A cada ponto

    o traço inteiro

    entrego

    Na roca enredo

    o meu xadrez

    da troca.”

    (Eliane Faccion [1949-2023], “Tecelã”, poema inédito.)
  • “Antes de tudo, há dois tipos de escritores: aqueles que escrevem em função do assunto e os que escrevem por escrever. Os primeiros tiveram pensamentos, ou fizeram experiências, que lhes parecem dignos de ser comunicados; os outros precisam de dinheiro e por isso escrevem, só por dinheiro. […] Pois é como se uma maldição pesasse sobre o dinheiro: todo autor se torna um escritor ruim assim que escreve qualquer coisa em função do lucro. As melhores obras dos grandes homens são todas provenientes da época em que eles tinham de escrever ou sem ganhar nada, ou por honorários muito reduzidos. Nesse caso, confirma-se o provérbio espanhol: honra y provecho no caben em un saco [honra e proveito não cabem no mesmo saco].”

    (Arthur Schopenhauer, “Sobre a escrita e o estilo”, em A arte de escrever.)
  • “A de Virgínia Woolf é uma existência em que a escrita teve um papel decisivo. Ela o diz da seguinte forma: ‘Para mim, nada é real, a não ser quando escrevo’. Afirmação que não necessita de comentários, dada a nitidez com que Virginia reconhece à escrita sua função criadora e de verdade.”

    (Nadia Fusini, Sou dona da minha alma: o segredo de Virginia Woolf.)
  • “Tudo é a razão de ser da minha vida.”

    (Fernando Pessoa, Ficções do interlúdio, Poesias de Álvaro de Campos.)
  • “Escrever é, pois, matéria de salvação. Em todos os textos, na ficção ou na crônica, em tudo o que diz ou escreve, de público ou na intimidade, Clarice persegue um alvo obsessivo. Liga tudo a tudo. Religa. Seus textos são seus exercícios espirituais. […] Nos livros de Clarice pulsa uma tensão que dá notícia de algo além do texto. É lá, nesse fundo, transfundo, que Clarice se situa. E é para lá, para essa perturbadora aventura, que ela convida o leitor. O desejado interlocutor. O duplo. Aquele que reza a mesma oração, em busca da mesma luz.”

    (Otto Lara Resende, prefácio de Línguas de fogo, ensaio sobre Clarice Lispector, de Claire Varin.)
  • “Quando a obra passa a autoquestionar-se, começa a inquirir da participação do leitor. O leitor é um texto, que vai entrar em diálogo com a escritura. É o lugar em que o texto se reescreve ao ser recebido e interpretado.”

    (Bella Jozef, O jogo mágico.)
  • “A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto.”

    (Paulo Freire, A importância do ato de ler.)