Uns toques

Citações para jovens escritores

  • “Gustave Flaubert está por inteiro em seus livros; é inútil procurá-lo alhures. Não tem paixão, nem a de colecionar, nem a de caçar, nem a de pescar. Escreve seus livros e nada mais. Entrou na literatura como outrora entrava-se para uma ordem, para lá experimentar todas as sus alegrias e morrer. Foi assim que se enclausurou, gastando dez anos a escrever um volume, vivendo-o durante todas as horas do dia, trazendo tudo a esse livro, respirando, comendo e bebendo esse livro. Não conheço um homem que mereça mais do que ele o título de escritor; deu toda a sua existência à sua arte.”

    (Emile Zola, Do romance.)
  • “Eu também não ligo para dinheiro. Mas o dinheiro é importante para mim. Preciso dele, de parte do que me proporciona o meu trabalho para comprar meus livros, meus discos, para fazer as minhas viagens, aproximar-me, por todo os meios, do mundo. São coisas indispensáveis ao escritor.”

    (Osman Lins, em carta a Hermilo Borba Filho, em 7 de fevereiro de 1969, incluída em E viva a vida!, org. de Nelson Luís Barbosa.)
  • “…depois do senso do real, há a personalidade do escritor. Um grande romanista deve ter o senso do real e a expressão pessoal.”

    (Emile Zola, Do romance.)
  • “O homem que remove a terra acumulada sobre uma civilização e interroga as suas ruínas assemelha-se aos que, recusando o mundo inesgotável, curvam-se ante uma obra de arte e tentam penetrá-la. A diferença entre um e outro é que a civilização exumada talvez se esgote um dia.”

    (Osman Lins, A rainha dos cárceres da Grécia.)
  • “Jamais atiramos a esmo, para o ar, sem saber por quê. Assim, quando você ouvir um autor falando em ‘inspiração’ e outras palavras gastas, desconfie dele. Também desconfie quando o ouvir afirmar que escreve para encher as horas. Torça a cara, dobre a esquina ou salte de lado quando souber que o livro foi escrito por um homem de alta posição. Porque ele deve estar atirando para cima. Ou contra você.”

    (Osman Lins, Evangelho na taba.)
  • “Não escrevi este livro ou qualquer outro inspirado pelos deuses. Custou-me dois anos e meio de interrogações, estudo e esforço.”

    (Osman Lins, Guerra sem testemunhas.)
  • “O ficcionista não disserta a respeito do que sabe ou pensa do universo: faz com que o contemplemos. Hipérboles do real, a recordação em Marcel Proust, as situações de Franz Kafka ou a factícia baleia de Melville ultrapassam a experiência do leitor, imerso numa realidade cuja natureza, ao invés de ser apenas entendida, penetra-o. O real, longe de ser negado, é por esse meio iluminado.”

    (Osman Lins, Guerra sem testemunhas.)
  • “A partir da leitura de A metamorfose, a literatura se tornou para mim uma coisa muito valiosa, muito especial. E Crime e castigo me ensinou, além da história gigantesca ali contada, que a leitura era a maneira mais barata de viajar. Lendo aquilo eu estava em plena Rússia, o livro coloca você dentro de um cortiço na Rússia. Ler era uma forma de sair de onde eu estava.”

    (Francisco de Morais Mendes, História afetiva de leitores e bibliotecas em Belo Horizonte, org. Cleide Fernandes et alii.)