Uns toques

Citações para jovens escritores

  • “Se constatamos que a incompreensão a respeito do livro, em nossos dias, afeta numerosos escritores, amando a literatura, mas sem o necessário domínio sobre as rédeas da vida e sobre a orientação que devemos imprimir ao ofício, cujas vicissitudes custam a aceitar, facilmente entenderemos que grande porcentagem de leitores, sem noção dos problemas literários e ludibriados pelas técnicas que adulteram a hierarquia dos valores, apenas atribuam importância aos livros que alcançam em breve prazo tiragens expressivas.”

    (Osman Lins, Guerra sem testemunhas.)

  • “Em toda a obra, nas personagens, nos narradores, encontramos Clarice, ela mesma: sofisticada e simples. Verdadeira: viva. E chegamos ao ser que se mostra inteiro nos fragmentos de Perto do coração selvagem ou de Um sopro de vida: a matéria da coisa.”

    (Carlos Mendes de Sousa, Clarice Lispector: pinturas.)

  • “A definição de poesia numa só frase? Caramba! Conhecemos pelo menos umas quinhentas, mas nenhuma nos parece suficientemente precisa e abrangente. Cada uma expressa o gosto de sua época, e nosso ceticismo inato nos impede de tentar defini-la novamente. Mas guardamos na memória um belo aforismo de Carl Sandburg: ‘A poesia é um diário escrito por um animal marinho que vice na terra e gostaria de voar’. Serve essa, por enquanto?”

    (Wislawa Szymborska, Correio literário ou Como se tornar (ou não) um escritor.)

  • “A releitura é sempre maior prazer que a leitura. E isso porque nos proporciona maior profundamente do tema e do pensamento do autor, maior captação dos processos utilizados, bem como satisfação artística mais lenta e mais saboreada, já que não nos aguça a curiosidade a visão global do assunto e sim os meandros e interstícios da obra em si.”

    (Maria de Lourdes Teixeira, Esfinges de papel.)


  • “Se dou um passo atrás e trato de ver a mim mesmo como escritor, sinto que essa constante da infância, que existe em mim – e não a lamento, muito ao contrário –, tem determinado sempre a maneira em que se me dão as coisas, os temas, as situações e a maneira em que logo, no plano da escritura, ensaio transmiti-las e resolvê-las.”

    (Julio Cortázar, entrevista ao programa “Encuentros con las letras” da RTVE, em 1981.)

  • “Os livros e a leitura, assim como as escolas, isoladamente, não resolverão os muitos problemas que temos no país. Mas podem iluminar e ampliar nosso entendimento sobre a vida que vivemos e criar condições de luta por vidas mais justas, em Belo Horizonte e no Brasil.”

    (Fabíola Farias, uma das coorganizadoras de História afetiva de leitores e bibliotecas em Belo Horizonte.)

  • “Pouco sabe do invento o inventor, antes de o desvendar com o seu trabalho. Assim, na construção aqui iniciada. Só um elemento, por enquanto, é claro e definitivo: rege-a uma espiral, seu ponto de partida, sua matriz, seu núcleo.”

    (Osman Lins, Avalovara, capítulo S2, “A espiral e o quadrado”.)
  • “É o seguinte: a dissonância me é harmoniosa. A melodia por vezes me cansa. E também o chamado ‘leit-motiv’. Quero na música e no que te escrevo e no que te pinto, quero traços geométricos que se cruzam no ar e formam uma desarmonia que eu entendo. É puro it. Meu ser se embebe todo e levemente se embriaga. Isso que estou te dizendo é muito importante. E eu trabalho quando durmo: porque é então que me movo no mistério.”

    (Clarice Lispector, Água viva.)