Citações para jovens escritores
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“O calendário é uma rede no ar, o calendário caça o ar como se existissem borboletas de ar. Veja: o barqueiro segue o rio, da cabeceira à foz. Segue e está presente, no curso da viagem, em todos os pontos do percurso. Pode, em momentos privilegiados, ter a visão simultânea – não da viagem toda: a tanto não alcança – de alguns segmentos da viagem. Incursões.”
(Osman Lins, Avalovara.) -
No dia 8 de maio, uma quinta-feira, H.A. vai participar da Bienal Mineira do Livro deste ano de 2025, ao lado de Nádia Battella Gotlib, na mesa “Clarice Lispector e Osman Lins: memória e influências”, com mediação da escritora e psicanalista Ana Cecília Carvalho. Será no Centerminas Expo, no auditório Riobaldo, a partir das 15 horas.
(Veja aqui a programação da Bienal do Livro, de 3 a 10 de maio, em Belo Horizonte.) -
A Bienal Mineira do Livro, que neste ano de 2025 homenageia Guimarães Rosa, será de 3 a 10 de maio, no Centerminas Expo, em Belo Horizonte. No dia 8, quinta-feira, a partir das 15 horas, no auditório Riobaldo, H.A. vai participar da mesa Clarice Lispector e Osman Lins: Memória e Influências, com Nádia Battella Gotlib. A mediação será da escritora e psicanalista Ana Cecília Carvalho.
(Acesse o site da Bienal aqui.) -
“Mário de Andrade é dos grandes e marcou com seu espírito, de maneira profunda, as letras e as artes tanto paulistas como brasileiras. Sua admirável personalidade abrange um âmbito ainda não alcançado por outra em nossa terra. Feliz amálgama de dons intelectuais e artísticos bem como de qualidades humanas muito pessoais, Mário foi um centro de convergência de iniciativas, admirações, estímulos, influências e amizades que se irradiou em atuação permanente até o fim de sua vida e que ainda perdura. Exercendo a crítica, fazendo poesia, romance, conto e ensaio, tanto se empenhando no campo da música, das artes plásticas como das letras, foi um dos pontos mais altos da inteligência de São Paulo e como tal deve ser estudado, já que de São Paulo está profundamente impregnada toda a sua obra, seja na ternura e na emoção, seja na persistência dos temas, seja na captação psicológica, seja na linguagem de que foi revolucionário e criador.”
(Maria de Lourdes Teixeira, “Planisfério da Ficção Paulista”, Esfinges de papel.) -
“Este trabalho está dividido em três partes. A primeira parte, ‘Antígona na Grécia Antiga’, contempla o imaginário mítico inicial criado em torno de Antígona, na Grécia Antiga, a partir, especialmente, da tragédia de Sófocles. A segunda parte, ‘Antígona no contexto da Segunda Guerra Mundial’, apresenta Antígona no contexto europeu do final da Segunda Guerra, mais especificamente com os textos Antígona, de Jean Anouilh (França, 1944), e Antígona de Sófocles, de Bertolt Brecht (Alemanha, 1948). A terceira e última parte, ‘Antígona na América Latina’, traz reescrituras de Antígona nos contextos latino-americanos de ditadura militar – caso de Griselda Gambaro, com Antígona furiosa (Argentina, 1986) – e conflito armado interno – na peça Antígona, de Yuyachkani e José Watanabe (Peru, 2000). […] … que o leitor transite por esses países e continentes e escute a voz de Antígona em cada um dos contextos apresentados. É preciso um ouvido apurado: às vezes seu grito é apenas silêncio.”
(Flávia Almeida Vieira Resende, na Introdução de Antígonas – Apropriações política do imaginário mítico.) -
“Convivemos todos os dias com as narrativas escritas e isto esconde o seu mistério. Uma viagem está no texto, íntegra: partida, percurso e chegada. Nele, há o ir e o estar, isto é, coincidem o fluxo e a permanência.”
(Osman Lins, Avalovara.) -
“É preciso que a obra literária tenha caráter de empreendimento, como Osman Lins escreveu em Guerra sem testemunhas. A obra literária requer ‘esforço, finalidade e organização’. E para isso é preciso ter paciência, nunca é demais lembrar. Ele condenava a prática, frequente em escritores sem projeto, de reunir num mesmo volume textos de vários gêneros, uma miscelânea – um poema do Dia das Mães escrito no ginásio, uma carta a uma namorada, um conto da adolescência, o fragmento de um romance abortado, uma frase espirituosa etc. Ou, nas palavras de Osman Lins: ‘frases espetadas entre dois asteriscos, como borboletas raras’. Ele condenava esses livros sem estrutura, sem rumo, sem fulcro, sem o indispensável sentido de composição.”
(H.A. “Osman Lins, professor de romance”, Nove, novena, noventa, org. Sandra Nitrini; Hucitec, 2016.) -
“Interessante notar que, imersas no útero da biblioteca, acessamos uma biblioteca viva, presente dentro de cada uma de nós. Em grupo comungamos a palavra, repartimos histórias como pão sagrado, inebriadas pelo vinho quente do coração! Diferenças? Foram todas diluídas pela alegria do encontro, da reciprocidade. Tecemos afetos pela via das afinidades.”
(Tatiane Moreira Ferreira, contadora de histórias, História afetiva de leitores e bibliotecas em Belo Horizonte.)