Citações para jovens escritores
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“A literatura é invenção. A ficção é ficção. Chamar a uma história uma história verdadeira é um insulto tanto para a arte como para verdade. Todos os grandes escritores são grandes impostores, mas também o é essa arquimentirosa Natureza. A Natureza engana sempre. Desde o simples engano da propagação da ilusão prodigiosamente sofisticada das cores protetoras nas borboletas e nas aves, há na Natureza um sistema de feitiços e astúcias. O escritor de ficção limita-se a seguir as indicações da Natureza.”
(Vladimir Nabokov, Aulas de literatura.) -
No próximo sábado, 21 de junho deste ano de 2025, H.A. vai autografar seus dois livros recentes publicados pela Editora Sinete – o romance Vale das ameixas e o ensaio livre A voz dos sinos – na Feira do Livro do Pacaembu. Ele estará na Tenda 53, da Livraria Patuscada, a partir das 16 horas, ao lado do escritor Matheus Arcano, que vai autografar O umbigo de Adão, crônicas.
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“A novela [ou conto] lembra o problema que consiste em colocar uma equação a uma incógnita; o romance é um problema de regras diversas que se resolve através de um sistema de equações com muitas incógnitas, sendo as construções intermediárias mais importantes que a resposta final. A novela é um enigma; o romance corresponde à charada ou ao jogo de palavras.”
(Boris Eikhenbaum, citado por Nádia Battella Gotlib em Teoria do conto.) -
“Será o amor, em nosso tempo, um instrumento em vias de desaparecer? Só a palavra amor sobrevive ainda? O que será de tudo, se também nos arrancam a força de amar? A alegria de amar? A raiva de amar?”
(Osman Lins, Avalovara.) -
“A mentira não recua diante do trágico. Do mesmo modo que a sociedade total não suprime o sofrimento de seus membros, mas registra e planeja, assim também a cultura de massa faz com o trágico. Eis por que ela teima em tomar empréstimos à arte.”
(Adorno/Horkheimer, Dialética do esclarecimento.) -
“Não é só da brevidade e da impressão total que surge a boa história ou conto. Anton Tchekhov exige nela ‘brevidade, e algo que seja novo’. E também força, clareza e compactação. Assim, o texto deve ser claro – o leitor deve entender, de imediato, o que o autor quer dizer. Deve ser forte – e ter a capacidade de marcar o leitor, prendendo-lhe a atenção, não deixando que entre uma ação e outra se afrouxe esse laço de ligação. O excesso de detalhes desorienta o leitor, lançando-o em múltiplas direções. E deve ser compacta – deve haver condensação dos elementos. Tudo isso com objetividade.”
(Nádia Battella Gotlib, Teoria do conto, recém-reeditado pela Autêntica, ampliado com novos capítulos.) -
“livre-arbítrio, meu amigo, deus é silêncio e discrição”
(Whisner Fraga, O privilégio dos mortos.) -
“Outro depoimento da extraordinária humanidade de Mário? ‘É preciso acabar com esse individualismo orgulhoso que faz de nós deuses e não homens. Hoje sou muito humilde. Meu maior desejo é ser homem entre os homens. Transfundir-me. Amalgamar-me. Ser entendido. Sobre tudo isso.”
(Maria de Lourdes Teixeira, “Autorretrato de Mário de Andrade”, Esfinges de papel.)