Bem no alvo

Citações de diversos autores

  • “Há três pontos de vista segundo os quais um escritor pode ser considerado: pode ser considerado um contador de histórias, um professor e um encantador. Um grande escritor combina os três – contador de histórias, professor, encantador –, mas é o encantador que há nele que predomina e o torna um grande escritor.”

    (Vladimir Nabokov, “Bons leitores e bons escritores”, Aulas de literatura.)

  • “O exemplo mais conhecido dos processos literários de Kafka é A metamorfose. Nós temos de viver a experiência de Gregor Samsa, quando certa manhã esperta transformado em inseto gigantesco. Isso contradiz, naturalmente, todas as leis da nossa experiência. Contudo, considerando-se a vida que este jovem leva e as relações no seio da família, essa imagem do inseto nojento torna-se verdadeira. ‘Eu me sinto miserável como um inseto’, isso se pode dizer em português, da mesma forma como em alemão. Essa visão imaginativa contida na língua é para o expressionismo a verdadeira, a mais profunda. Kafka leva a metáfora a sério, riscando a palavrinha ‘como’: ele não diz ‘eu me sinto como um inseto’, ele diz ‘eu sou um inseto”. Transforma a metáfora em realidade.”

    (Anatol Rosenfeld, “Kafka e o romance moderno”, Letras e leituras.)

  • “Será então impossível aos homens viverem em paz neste mundo tão belo debaixo deste incomensurável céu estrelado? Como podem eles, num lugar como este, guardar sentimentos de ódio e de vingança e a ânsia de destruir seus semelhantes? Todo o mal que há no coração humano devia desaparecer ao contato com a natureza, esta é a expressão mais imediata do belo e do bom.”

    (Leão Tolstói, em trecho de A invasão citado por Henry Thomas/Dana Lee Thomas, em Vidas de grandes romancistas. Esse livro de contos, “seu primeiro grito de protesto contra o militarismo”, foi publicado em 1852, quando Tolstói estava com 24 anos.)

  • “O criminoso que, ao cometer seu crime, pôs sua autoconservação acima de tudo, tem na verdade um eu mais fraco e instável, e o criminoso contumaz é um débil.”

    (Adorno/Horkheimer, Dialética do esclarecimento.)

  • “Mesmo a tua zombaria era uma forma de afeição.”

    (Osman Lins, Os gestos, “Elegíada”.)

  • A Inteligência Artificial (IA) pode fazer tudo?
    Vai substituir o trabalho do artista, do escritor?
    O poeta Nuno Arcanjo reflete sobre isso
    neste vídeo de menos de dois minutos

  • “As coisas que a gente deseja não chegam como a gente espera.”

    (Daniella Zupo, “O arraial dos meus sonhos”, em O dia em que encontrei Bob Dylan numa livraria de Estocolmo.)

  • “Eu trabalho com a apropriação. Não há história alheia que não me convenha, corrente estética que rechace ou inspiração das musas. Mas não tento imitar ou me aproximar dos produtos dos grandes centros culturais, trabalho a partir da minha cultura aberta. […] Esta cultura mestiça é a que nos permite estar abertos a todos os aportes, recebê-los e transformá-los, passá-los pela peneira de uma cultura aberta e uma ótica argentina.”

    (Griselda Gambaro, Teatro reunido, em citação de Flávia Almeida Vieira Resende, em Antígonas – Apropriações políticas do imaginário mítico.)