Bem no alvo

Citações de diversos autores

  • “Habitamos esse tempo
    De hackers e derrotas morais,
    Com seu arsenal de asperezas,
    Entre a surdez e a alienação.”

    (Ronaldo Cagiano, “Sorte”, Arsenal de vertigens.)
  • “Três figuras novas me parecem se firmar definitivamente no Salão: Vittorio Gobbis, Candido Portinari e Alberto da Veiga Guignard. Não é possível estudá-los aqui e o farei em tempo, são para mim revelações do Salão. [..] Portinari com O violinista nos dá talvez a melhor obra do Salão. Obra notável, de um encanto impregnante, que a gente não esquece mais…”

    (Mário de Andrade, Diário Nacional, 13 de setembro de 1931, Cartas do Modernismo.)
  • “Para escrever um poema

    É preciso não ter se despedido de sua mãe em Gaza.

    É preciso carregar um filho rígido no colo.

    Escreve-se um poema sem uma das pernas.

    É preciso ter retirado tarde demais um avô dos escombros.”

    (Emilio Terron, início do poema “Hoje”, Queda que dá.)
  • “Certos escritos meus, Avalovara entre eles, são deliberadamente uma construção intelectual e como que uma invocação mágica. Isto, bem entendido, não para obedecer a uma teoria, a um programa. Mas porque eu próprio, como um homem, levarei sempre em mim esta contradição: a de debater-me entre a ânsia de compreender e a certeza de que tudo é mistério.”

    (Osman Lins, Evangelho na taba.)
  • “Não serão nossos livros algo de inarticulado; nem um eco de vozes coletivas. Buscando um equilíbrio difícil, não deveremos exacerbar na obra o antagonismo em que se apoia e do qual temos ciência; nem tender a superá-lo mediante a simples rendição. No momento em que, corrompendo-nos, decidimo-nos pelas satisfações do fácil orgulho ou do fácil reconhecimento, já não somos escritores: desembaraçamo-nos de nossos encargos, os quais se fazem hoje necessários com maiores razões que em outros tempos.”

    (Osman Lins, Guerra sem testemunhas.)
  • “Poderíamos comparar a presença intensa de João Cabral, ainda hoje, em nosso meio literário com a de Fernando Pessoa no espaço português, pois ambos figuram como uma referência que assombra e desassossega a estabilidade da poesia. Ou seja: parece haver sempre uma dívida para com o estatuto poético criado por esses dois poetas, que atuariam como dois marcos para a literatura: antes e depois de Cabral, antes e depois de Pessoa – sombras ou máscaras projetando-se permanentemente nas criações poéticas.”

    (Maria Heloísa Martins Dias, “Em ‘3 Variações cabralinas’ desponta o erotismo”, (Des)focagens da Literatura.)
  • “A adaptação, mesmo fiel, de uma obra literária para o cinema, como no caso de Vidas secas ou da versão soviética de Guerra e paz, permite aferirmos o imenso desnível entre os dois mundos. Constituem, tais empreendimentos, nos quais se evidencia o ilimitado alcance espiritual da literatura, nada mais que ilustrações, homenagens ao texto literário, atos de aproximação entre este e o público. Não pode o filme sequer aspirar a substituir o livro – do qual, uma vez transposto, resta apenas um halo –, reduzindo o leitor a espectador; deverá, antes, constituir um liame, destinado a elevar o espectador a leitor.”

    (Osman Lins, Guerra sem testemunhas.)
  • “Por meio de suas grandes obras, a literatura interessa ao homem íntegro, mais que ao diletante. É testemunho, com sua peculiar maneira, da aventura humana; mais ainda: participa da aventura e franqueia aos demais tal participação.”

    (Arthur Nisin, ensaísta belga, citado por Osman Lins em Guerra sem testemunhas.)