Citações de diversos autores
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“Se constatamos que a incompreensão a respeito do livro, em nossos dias, afeta numerosos escritores, amando a literatura, mas sem o necessário domínio sobre as rédeas da vida e sobre a orientação que devemos imprimir ao ofício, cujas vicissitudes custam a aceitar, facilmente entenderemos que grande porcentagem de leitores, sem noção dos problemas literários e ludibriados pelas técnicas que adulteram a hierarquia dos valores, apenas atribuam importância aos livros que alcançam em breve prazo tiragens expressivas.”
(Osman Lins, Guerra sem testemunhas.) -
“Em toda a obra, nas personagens, nos narradores, encontramos Clarice, ela mesma: sofisticada e simples. Verdadeira: viva. E chegamos ao ser que se mostra inteiro nos fragmentos de Perto do coração selvagem ou de Um sopro de vida: a matéria da coisa.”
(Carlos Mendes de Sousa, Clarice Lispector: pinturas.) -
“Meu Deus, estou nessa vida de escritor há mais de vinte anos! A realidade que tento exprimir em meus livros pode parecer nova para os outros. Para mim, é absolutamente simples. […] Detesto fórmulas. Não aceito fórmulas.”
(Osman Lins, Evangelho na taba.) -
“Sou essa terra de ossos.
Trago o sangue seco nos olhos.
Nada me falta, nada tenho,
minhas raízes perfuram como facas
a carne das montanhas.”
(Guiomar de Grammont, “Ouro Preto”, Mais pesado que o ar.) -
“Os textos, de certo modo, existem antes que sejam escritos. Vivemos imersos em textos virtuais. Minha vida inteira concentra-se em torno de um ato: buscar, sabendo ou não o quê. Assemelham-se um pouco às de um desmemoriado minhas relações com o mundo. Caço, hoje, um texto e estou convencido de que todo o segredo da minha passagem no mundo liga-se a isto.”
(Osman Lins, Avalovara.) -
“Sim. Este é um livro raro [Guerra sem testemunhas]. Pela qualidade, penetração e contundência da reflexão que ele encerra. Na literatura brasileira, nunca antes se escreveu sobre os problemas que o escritor enfrenta – os dilemas, as condições precárias contra as quais navega – com tanta virulência, com tanta dignidade, e, às vezes, com amargo entusiasmo. […] Realmente notável é o fato de que Osman Lins não se contenta em identificar os problemas, em refletir sobre as adversidades e suas repercussões culturais, estéticas e sociais no contexto particular da literatura brasileira; não se limita apenas a realizar, em resumo, a crítica – o que já seria uma contribuição importante. Vai além: aponta caminhos, esboça soluções, projeta estratégias.[…] Ao avançar na leitura de Guerra sem testemunhas, o leitor reconhecerá outros elementos que confirmam a singularidade do livro: a coragem de debater num período tão conturbado de nossa história política [a primeira edição saiu em 1969 e a segunda em 1974, portanto durante a ditadura militar]; o entrecruzamento radical, e inédito, entre ensaísmo e ficção; a visão que o escritor elabora, apresenta os problemas sob ângulos absolutamente particulares; e, ainda acrescentaria, um completo despojamento dos cacoetes característicos da teoria e da crítica de época.”
(Fábio Andrade, na Apresentação “Outras notícias do front” da 3ª edição de Guerra sem testemunhas, Cepe/Editora UFPE, 2024.) -
“O excesso de misericórdia encoraja a transgressão, e um segundo crime nasce sempre do perdão.”
(Shakespeare, Medida por medida.) -
“O poeta
É um condutor de almas
Lava as palavras
De nada
Depois seca
As lágrimas no varal”
(Vicente Humberto, “Poeta”, Caixa de vazios.)