Corações solidários

Comentários de leitores de H. A.

  • “O personagem masculino preponderante e senhor do Vale das ameixas é Harley Tymozwski, ou Timo (o leitor que descubra as origens e os significados do apelido, para além do sobrenome). Polonês de origem, professor – rico daquele machismo bíblico, ainda hoje tão difícil de se desintegrar –, Timo vai ressignificar a própria vida em pendência a todas as mulheres por que ‘passou’ (ex-alunas, professora, bailarina, psicóloga etc. etc.). Um homem sedutor, senhor de conquistas indeléveis. […] Para o narrador-mor, aqui também, as mulheres serão mestras de vida e serão vozes (às vezes em cartas) da narração. Dos seios delas, fetiche de Harley, mimetizam-se as ameixas do Vale (a propósito, nos dicionários de símbolos, a fruta ameixa está associada ao órgão sexual feminino e ao prazer carnal). Elas serão emblema do leite metafórico de quando Timo já não pode mais se alimentar do materno. Considere-se também, a título de informação, que a Polônia é grande produtora e exportadora de ameixas.”

    (Alexandra d’Orsi, Vale das ameixas, à sombra dos seios em flor”, revista digital Triplov.)

  • “Seus livros são realmente muito envolventes. Mais uma vez parabéns.”

    (Sonia Achatkin. Parecerista de projetos culturais. São Paulo.)

  • “O autor [Hugo Almeida], nos seus 23 anos, deixa de entregar-se às demasias verbais [em Globo da Morte, Edição Alternativa, 1975) que a idade justificaria. É que se impôs, desde já, conseguir o efeito máximo de autenticidade, com o mínimo de recursos estilísticos, acrescentados às palavras ligadas ao acontecimento que flui.”

    (Aires da Mata Machado Filho, “‘As pompas do Mundo’ e o ‘Globo da Morte’”, O Estado de S. Paulo, 24 de janeiro de 1976.)

  • “Em 2004, li o multipremiado romance Mil corações solitários, do escritor mineiro Hugo Almeida, lançado originalmente nos anos 1980. Após a leitura, escrevi o poemeto ‘Corações solitários’ e enviei-o ao autor. O tempo passou. Agora, recebo a quarta edição do livro, que traz na última capa aquele poema – do qual, confesso, eu nem lembrava mais. Uma gentileza do autor. Mil corações solitários (Editora Sinete, 2025). Confira.”

    (Do Instagram de Carlos Machado, poeta e jornalista. Autor de vários livros de poemas, como Cicatrizes e Cais de memória, e editor do boletim quinzenal poesia.net.)

  • “Hugo, você merece todos os elogios. Seus livros têm alma e envolvem o leitor de tal forma que é impossível parar de ler até o fim. Parabéns!”

    (Sonia Achatkin. Parecerista de projetos culturais. São Paulo.)

  • “Nem sei o que dizer. Se eu fosse jurado do prêmio Nestlé, dava-lhe a láurea sem examinar os demais livros. Difícil parar de ler Mil corações solitários antes do ponto final. O que mais me impactou foi a complexa arquitetura, a montagem da obra. Você é maldoso, não entrega nada mastigado para o leitor e isso (que permanece até hoje) é um dos geniais traços de sua escrita. Claro que o burrinho aqui vai ter que ler mais uma ou duas vezes. Imagino o seu interminável trabalho artesanal para ‘desmontar’ o todo que estava ‘montado’ em sua mente, antes de a escrita ir se fazendo no caminho. Eu não daria conta disso nunca, daí minha inveja ou meu sentimento de impotência diante do seu texto tão criativo. Sou cartesiano, quadrado. Fora isso, o lado psicológico, os traços dos personagens, a ambiência de solidão, sofrimento e estranheza, entrecruzados com os tocantes momentos de resistência ou rebelião dos filhos, mas da mãe principalmente, bendita viagem a São Paulo, a sexualidade explodindo no meio de tantos homens, corintianos, a noite no ônibus, mas tão magistralmente resguardada no véu da escrita formalmente ‘desregrada’, só a carta posterior retoma a linearidade, nas confidências à mãezinha lá no céu – e quanta ternura que essas cartas desvelam e sustentam, um pilar ao longo do livro. Tem hora que brota uma vontade suave de chorar. Enquanto isso, uma história ‘documental’ de Minas, das citações aparentemente deslocadas, mas compondo um pano de fundo com outros momentos da geomineiridade do enredo. E, acima de tudo, a atualidade dos temas evocados (política, costumes, sexualidade), parece que o livro foi escrito hoje, só faltaram internet e celular que não existiam por aqui. Posso estar falando muita bobagem, pois preciso ler outra vez, passada a curiosidade da primeira leitura, para tentar costurar o que você deixa tão habilmente descosturado, nessa engenharia que comporta o pós-moderno (?) e o clássico da escrita (Joyce, Saramago, Machado de Assis? Minha ignorância da literatura não me permite citar outros autores que ilustrem o que quero dizer). Fica um sentimento de perplexidade: acabou sem ter acabado, encheu deixando vazios, apaziguou deixando uma angústia que precisa permanecer. E não é isso a essência da literatura de primeira grandeza?”

    (José Newton Garcia de Araújo, doutor em Psicologia e escritor, autor de Retalhos de fazenda. Belo Horizonte.)

  • “Terminei de ler Vale das ameixas. Você tem uma capacidade imensa de inventar, criar personagens e dotá-los de características incríveis. A ficção é o seu lado forte. Você move as pessoas, cria identidades que povoam o cenário de vida de figuras singulares. Você também introduz a história mundial na rotina dessas personagens. Parabéns.”

    (Fátima Cioccari, farmacêutica. São Paulo.)

  • Mil corações solitários é um daqueles livros envolventes que não conseguimos parar de ler e que, quando acaba, sentimos saudades. As informações escritas aparentemente fora do contexto do romance são provocações críticas de uma sociedade desigual que me fizeram refletir que, apesar de ter sido escrito na década de 1980, continua sendo atual nos dias de hoje. A personagem Níobe é a mulher submissa, porém muito inteligente e que tem o consolo da mãe ao escrever cartas. Ela logo dá o grito de independência. Parabéns, Hugo, pelo livro, que já é um dos meus preferidos para reler num futuro próximo. Esse romance sempre terá leitores ávidos.”

    (Maria José de Araújo, a “Jô”, bancária aposentada. São Paulo.)