Comentários de leitores de H. A.
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(Whisner Fraga, “Certos casais – as variantes da intimidade”, em Acontece nos Livros.)
“Hugo é um escritor refinado, de maneira que é preciso mantermos a atenção ao que escreve, isso nos é exigido claramente. Nada mais justo do que dedicarmos nosso tempo a uma obra de arte, que certamente levou tempo para ser elaborada. Percebemos um trabalho apurado para conciliar forma e conteúdo e isso é raro em um escritor. O primeiro conto, ‘O sono do vulcão’, é uma paulada. Já a primeira frase nos causa espanto: ‘Deus fez o mundo à toa?’, provoca o narrador. Pronto, já basta para ficarmos presos à trama.”
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(Ronaldo Cagiano, no posfácio “Um romance ousado e singular: simbiose entre História e Linguagem” da 4ª edição de Mil corações solitários, romance de H.A., a sair em julho de 2025, pela Editora Sinete.)
“Original, versátil, polifônico e de esmerada construção verbal, Mil corações solitários, quase quatro décadas após conquistar o prestigiado Prêmio Nestlé de Literatura de 1988, reeditado em boa hora pela Sinete, confirma o talento de um autor e a qualidade de uma escritura arrojada e de rigor estilístico, mantendo-se atualíssima e incontornável como verdadeira obra de arte em língua portuguesa.”
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(Ana Cecília Carvalho, escritora e psicanalista, na orelha da 4ª edição de Mil corações solitários, romance de H.A.)
“Jogada num casamento abusivo que a deixa solitária, infeliz e sem saída, a personagem Níobe, recém-casada, escreve cartas para a mãe, o que continua a fazer até mesmo após tornar-se órfã. O destino dos filhos de Níobe – René (tão edipiano) e Ana (Freud a explica) –, que sobrevivem marcados pela união distópica de seus pais, se conecta, cada um à sua maneira, com o nunca dito – o mal-dito –, que precisa ser decifrado, da solidão da família.”
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(Luiz Fernando Emediato, na orelha de Globo da morte, de H.A.)
“O que importa não é o autor, não são seus problemas íntimos, mas a forma pela qual este autor observa, de um ponto afastado, as misérias alheias e coletivas. As misérias – cumpre dizer – de personagens solitários, sempre tentando abrir portas proibidas, sempre desesperadamente sedentos de alguma coisa (amor, solidariedade, justiça, sexo, esperança), e sempre massacrados por um mundo espedaçado e frio no qual suas vidas giram sempre, como se estivessem no interior de um perigoso globo da morte.”
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(Osman Lins, em carta a H.A. em janeiro de 1976.)
“O mínimo que posso dizer é que o seu livro [Globo da morte] desperta grandes esperanças e que você me parece um dos poucos autores novos em cujo futuro pode-se apostar.”
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(W. J. Solha, escritor, ator [O Som ao Redor], artista plástico, autor do romance Israel Rêmora e vários outros livros.)
“O que eu acho vital em qualquer obra de arte Hugo tem: humanidade.”
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(Caio Junqueira Maciel, “A polonaise de Hugo Almeida no Vale das ameixas”, Baía da Lusofonia.)
“Há um trecho no romance Vale das ameixas, de Hugo Almeida (Editora Sinete, 2024), em que o narrador adverte: ‘Um romance é um buraco negro que suga tudo. Mas ilumina a vida’. Grande verdade. […] Contrastando com a guerra, há o núcleo amoroso do livro. As intertextualidades comparecem para sublinhar o tema: […] diz que é homem do amor, ouvintes, e não homem da guerra. ‘Nessa passagem radiofônica de A rainha dos cárceres da Grécia, vejo que Osman Lins fez paráfrase de uma fala de Antígona, de Sófocles: Eu não nasci para partilhar de ódios, mas somente de amor! Ou, talvez, da frase original, que é de Homero, na Ilíada: Dione, com a filha Afrodite (ou Vênus) ferida no colo, lhe diz ter sido feita para combates de amor, não de guerra.’ A temática amorosa aponta para os instantes mais líricos e eróticos do romance, em que Timo evoca suas várias amadas, como Laura: ‘Laura, Laura, Laura. Sim, sim. Luz, poema vivo’.”
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(Francisco de Morais Mendes, na quarta capa de Certos casais.)
“O erotismo irradiará de uma narrativa a outra, do mesmo modo como transitam as personagens destas histórias. O conjunto ganha uma textura de romance sem perda da autonomia e da consistência dos contos.”