Comentários de leitores de H. A.
-
“Obra monumental o seu A Voz dos Sinos. Vale das Ameixas é o que me encanta, comove e deixa feliz e gratificado ao ler e reler. A Voz é outra coisa: texto definitivo e síntese da profundidade da obra e das críticas e análises a Osman. Li em conta-gotas. Primeiro, porque não tenho qualquer familiaridade com Osman; então, tudo era novo e pleno de descobertas. A mais importante é a de que a fonte de Osman está no que há de mais grandioso na literatura (pensamento filosófico) da moderna e conflituosa humanidade na Era Darwin. Está em Dostoiévski e seus Crime e Castigo e Memórias do Subsolo; no magistral Moby Dick de Melville; no Inferno de Dante; na Metamorfose de Kafka; na Quinta de Beethoven (talvez na Quinta de Mahle também); em Camus; na Bíblia; e, para mim, está em Lima Barreto, o maior escritor brasileiro depois de Guimarães.
Digo tudo isso porque a leitura dos seus livros recentes, o ensaio e romance, se deu no entremeio da releitura que faço de Dostoiévski, Gogol, Pushkin, Kafka, Nietzsche, Joyce, Goethe… Um ano de mergulho de mais de 800 horas de leitura desses admiráveis filósofos; mergulho do qual não sei se sairei vivo. Enfim, estive de visita à terra de Osman.”
(Marcos Wilson Spyer Rezende, jornalista e escritor, autor do romance Fogo, Cerrado!) -
“Este volume, organizado por Hugo Almeida – dedicado estudioso de Osman Lins nos anos recentes – significa uma contribuição importante para o conhecimento do grande escritor pernambucano. É uma reunião de textos escritos especialmente para esta edição, pelas mãos de dezoito especialistas, abordando aspectos relevantes da obra e oferecendo também dimensões reveladoras da pessoa e do escritor. É um roteiro e um painel que enriquecem a compreensão de Osman Lins e convidam os leitores a retomá-lo ou a se iniciarem.”
(Valentim Facioli, na orelha de Osman Lins: o sopro na argila, Nankin Editorial, 2004.) -
“Terminei de ler o romance Vale das Ameixas, do meu amigo Hugo Almeida. Adorei e me divertir com as histórias engraçadas e admirei as outras mais reais. A riqueza de detalhes e o conhecimento profundo de tudo. Parabéns, Hugo. Continue nos presenteando com suas palavras.”
(Elza Fonseca, professora aposentada.) -
“Chegando de viagem encontro o seu presente: o livro A voz dos sinos. Já li uma parte: uma demonstração do seu encanto, sua lealdade e compreensão profunda deste grande brasileiro Osman Lins. Um prazer tê-lo conhecido por você.”
(Dilma Celi Pena, geógrafa, ex-secretária de Estado de Saneamento e Energia de São Paulo.) -
“O personagem masculino preponderante e senhor do Vale é Harley Tymozwski, ou Timo (o leitor que descubra as origens e os significados do apelido, para além do sobrenome). Polonês de origem, professor – rico daquele machismo bíblico, ainda hoje tão difícil de se desintegrar –, Timo vai ressignificar a própria vida em pendência a todas as mulheres por que ‘passou’ (ex-alunas, professora, bailarina, psicóloga etc. etc.). Um homem sedutor, senhor de conquistas indeléveis. […] Para o narrador-mor, aqui também, as mulheres serão mestras de vida e serão vozes (às vezes em cartas) da narração. Dos seios delas, fetiche de Harley, mimetizam-se as ameixas do Vale (a propósito, nos dicionários de símbolos, a fruta ameixa está associada ao órgão sexual feminino e ao prazer carnal). Elas serão emblema do leite metafórico de quando Timo já não pode mais se alimentar do materno. Considere-se também, a título de informação, que a Polônia é grande produtora e exportadora de ameixas.”
(Alexandra d’Orsi, “Vale das ameixas, à sombra dos seios em flor”, revista digital Triplov.) -
“Hugo Almeida nos surpreende com a construção deste romance original [Vale das ameixas], tanto na forma quanto no conteúdo. Uma obra rara na cena contemporânea nacional e internacional e que certamente irá demandar alguma bagagem cultural prévia ou pesquisa complementar para o completo entendimento. Apesar da complexidade, uma leitura prazerosa e muito recomendada para todos que amam a vida e a arte, posso garantir.”
Alexandre Kovacs, “um engenheiro que adora ler e acumular livros”. Blog Mundo de K. -
“Já comecei a ler Vale das Ameixas, imersa nesse espaço e extasiada com o que nele vou encontrando. Pena que a realidade cruel do dia a dia me impeça de continuar a fruir infinitamente as delícias de sua escrita. Talvez essas interrupções sejam alertas para o difícil exercício do jogo entre afastamento e proximidade, necessários para que prazer e espírito crítico se conjuguem.”
(Maria Heloísa Martins Dias, doutora em Literatura Portuguesa pela USP, professora na Unesp, autora de As distintas margens da escrita literária, O empinador de poemas e outros livros.) -
“Empreguei meus sábado e domingo (28 e 29/12) para ler o seu A Voz dos Sinos.
Em que pese ser um ensaio longo, foi uma leitura agradável, pois sua escrita mantém-se felizmente longe dos vícios do jargão acadêmico, que o jornalista Raimundo Pereira chamava de o “modo difícil de falar coisas simples”. Isso se deve, certamente, a seu ofício de romancista, que entrou como mediador entre a teoria e o leitor.
Enquanto lia, lembrava do tempo em que, por um ano, fiz o curso da professora Sandra Nitrini, durante o doutorado na USP, o qual concluí com um ensaio sobre Avalovara. Esse ensaio, como outros muitos livros, ficou pelo caminho, mercê de minhas mudanças de endereço nos últimos três anos. Procurei-o entre os poucos objetos de minha exígua bagagem para Rio, mas, definitivamente, se perdeu.
Seu ensaio é um roteiro excelente a quem deseje, sem ser especialista, ir além da leitura superficial da obra de Osman Lins. Um roteiro, mas também um mapa de temas, enigmas e motivos que permeiam os escritos desse autor, cuja importância mais cresce, quanto mais o tempo avança e pesquisas, como a sua, lhe vão engrossando a já alentada fortuna crítica.
A lente panorâmica que empregou para o estudo não dispensou, em momentos oportunos, o mergulho mais fundo em alguns aspectos, sem jamais cometer a indelicadeza de revelar para o leitor os segredos que cabe a ele, e só a ele, desvendar no texto concreto de cada narrativa analisada.
Esse discernimento de até onde deve ir o teórico de letras e a partir de onde passa a ser responsabilidade do leitor literário extrair juízos a partir de sua própria a leitura, mais do que um convite à visitação das obras de Osman Lins, é alerta oportuno de que a leitura de análises críticas, por melhor que sejam, não substitui jamais a leitura da obra em si.
Assim, as referências que você faz, tanto às obras do autor analisado, quanto às fontes de intertextualidade dos textos dele, possibilitam ao leitor do ensaio o cotejamento e, por conseguinte, a oportunidade de, comparando um e outro, extrair seus próprios juízos.
Disso resulta que suas análises se mostram flexíveis, pois não são peremptórias e abrem espaço à possibilidade de matização e mesmo objeção do leitor, livre para levantar suas próprias hipóteses concordantes, concordantes em parte e mesmo discordantes, a partir dos materiais que você oferece, sejam eles suas próprias reflexões, excertos da obra de Osman Lins, trechos bíblicos, ou ainda citações de pesquisadores e críticos.
Obrigado pelo envio do volume que, verdadeiramente, coloriu minhas leituras deste dezembro de temperatura agradável e de vento constante na Cidade Maravilhosa.”
(Jeosafá Fernandez Gonçalves, doutor em Letras pela USP, escritor e professor. Tem dezenas de livros publicados, entre eles O espelho de Machado de Assis em HQ, Poesia na Escola e O jovem Mandela.)