Comentários de leitores de H. A.
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(Sonia Achatkin. Parecerista de projetos culturais. São Paulo.)
“Hugo, você merece todos os elogios. Seus livros têm alma e envolvem o leitor de tal forma que é impossível parar de ler até o fim. Parabéns!”
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(José Newton Garcia de Araújo, doutor em Psicologia e escritor, autor de Retalhos de fazenda. Belo Horizonte.)
“Nem sei o que dizer. Se eu fosse jurado do prêmio Nestlé, dava-lhe a láurea sem examinar os demais livros. Difícil parar de ler Mil corações solitários antes do ponto final. O que mais me impactou foi a complexa arquitetura, a montagem da obra. Você é maldoso, não entrega nada mastigado para o leitor e isso (que permanece até hoje) é um dos geniais traços de sua escrita. Claro que o burrinho aqui vai ter que ler mais uma ou duas vezes. Imagino o seu interminável trabalho artesanal para ‘desmontar’ o todo que estava ‘montado’ em sua mente, antes de a escrita ir se fazendo no caminho. Eu não daria conta disso nunca, daí minha inveja ou meu sentimento de impotência diante do seu texto tão criativo. Sou cartesiano, quadrado. Fora isso, o lado psicológico, os traços dos personagens, a ambiência de solidão, sofrimento e estranheza, entrecruzados com os tocantes momentos de resistência ou rebelião dos filhos, mas da mãe principalmente, bendita viagem a São Paulo, a sexualidade explodindo no meio de tantos homens, corintianos, a noite no ônibus, mas tão magistralmente resguardada no véu da escrita formalmente ‘desregrada’, só a carta posterior retoma a linearidade, nas confidências à mãezinha lá no céu – e quanta ternura que essas cartas desvelam e sustentam, um pilar ao longo do livro. Tem hora que brota uma vontade suave de chorar. Enquanto isso, uma história ‘documental’ de Minas, das citações aparentemente deslocadas, mas compondo um pano de fundo com outros momentos da geomineiridade do enredo. E, acima de tudo, a atualidade dos temas evocados (política, costumes, sexualidade), parece que o livro foi escrito hoje, só faltaram internet e celular que não existiam por aqui. Posso estar falando muita bobagem, pois preciso ler outra vez, passada a curiosidade da primeira leitura, para tentar costurar o que você deixa tão habilmente descosturado, nessa engenharia que comporta o pós-moderno (?) e o clássico da escrita (Joyce, Saramago, Machado de Assis? Minha ignorância da literatura não me permite citar outros autores que ilustrem o que quero dizer). Fica um sentimento de perplexidade: acabou sem ter acabado, encheu deixando vazios, apaziguou deixando uma angústia que precisa permanecer. E não é isso a essência da literatura de primeira grandeza?”
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(Fátima Cioccari, farmacêutica. São Paulo.)
“Terminei de ler Vale das ameixas. Você tem uma capacidade imensa de inventar, criar personagens e dotá-los de características incríveis. A ficção é o seu lado forte. Você move as pessoas, cria identidades que povoam o cenário de vida de figuras singulares. Você também introduz a história mundial na rotina dessas personagens. Parabéns.”
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(Maria José de Araújo, a “Jô”, bancária aposentada. São Paulo.)
“Mil corações solitários é um daqueles livros envolventes que não conseguimos parar de ler e que, quando acaba, sentimos saudades. As informações escritas aparentemente fora do contexto do romance são provocações críticas de uma sociedade desigual que me fizeram refletir que, apesar de ter sido escrito na década de 1980, continua sendo atual nos dias de hoje. A personagem Níobe é a mulher submissa, porém muito inteligente e que tem o consolo da mãe ao escrever cartas. Ela logo dá o grito de independência. Parabéns, Hugo, pelo livro, que já é um dos meus preferidos para reler num futuro próximo. Esse romance sempre terá leitores ávidos.”
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(Elza Fonseca, professora aposentada de Inglês. Belo Horizonte.)
“Ler os livros de Hugo Almeida é um tempo de acumular riquezas e crescimento. Quando você começa a ler Mil corações solitários não quer parar. O conhecimento da alma humana e a vivência tão diferente dos personagens prendem sua atenção. A vida dos personagens é como um rio que vem juntando troncos, folhas e outras coisas pelo caminho que apenas tocam uns nos outros sem se juntarem. Eles vivem uma vida paralela. A personagem Níobe encontra na escrita de cartas para a mãe um consolo, procurando respostas para o que ela não entende. Mas isso é um apoio e serve de momentos dedicados a ela própria. Para saber mais tem que ler e curtir cada momento que aparece. Amei esse romance.”
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(Jair Nascimento Filho, engenheiro, professor aposentado da UFMG. Belo Horizonte.)
“Quando li Mil corações solitários pela primeira vez, em 1988, eu tinha 37 anos. De lá pra cá são 38 anos. A história se passa da década de 1950 até os anos 80. O cenário daquele tempo. É uma história que me emocionou, uma mulher inicialmente tímida, Níobe, sensível e tão viva, que, em meio às limitações da época e circunstâncias, buscava a felicidade. Sofreu, cresceu, deu uma reviravolta na vida. É dos seus livros o que mais gostei e me impressionou. Eu sinto uma força vital nesse romance. Ele é inquieto, engajado, muito vivo, querendo viver. A vida das mulheres está mais fácil atualmente. Criaturas como a protagonista foram definindo uma ‘atmosfera’ mais feliz para os envolvidos na aventura da vida. A 4ª edição ficou linda. Parabéns a você e à editora.”
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(Mauro Pinheiro, escritor e tradutor. Autor de Cemitério de navios, Os caminhantes e Aquidauana, entre outros. Vive em Arles, França.)
“Li Mil corações solitários e ainda estou sob impacto por várias razões. Primeiramente, pela sua coragem em trilhar caminhos tão inovadores. Falo do conteúdo: um retrato realista de nossa sociedade patriarcal e doente (acho que não melhorou muito desde que você o escreveu, talvez tenha até piorado); mas falo sobretudo da estética, da forma em que essa história é narrada. O modo polifônico, no seu caso, me deu a impressão de que o livro se escreveu sozinho, você foi apenas o maestro que uniu numa só sinfonia uma pletora de instrumentos/vozes. Não posso deixar de citar a refinada reprodução de uma oralidade que surpreende o leitor pela sua verossimilhança. Abusando da metáfora musical, é como se os personagens executassem seus solos, enquanto as vozes dos outros permanecem presentes, mas caladas, como uma paisagem de fundo que ressalta a virtuosidade dos relatos.
Lamento, por outro lado, ter lido logo em seguida os textos que acompanham a 4ª edição (primorosa, por sinal). Neles, senti-me roubado de tudo o que poderia dizer, pois as análises são de uma abrangência e precisão sem par.”
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(Celia Demarchi, jornalista, São Paulo.)
“Porto Seguro, outra história deveria estar em todas as escolas e bibliotecas públicas brasileiras. Por suas qualidades literárias em si, seu texto leve, porém pontuado de pequenas graças e ironias, a capacidade de surpreender o leitor, mas também pela riqueza de informações sobre a cidade histórica a que se refere. Através de suas páginas, o leitor descobre detalhes da complexa e dificultosa construção do charmoso cais e também da estrada que ligou Porto Seguro a Eunápolis e ao Brasil apenas nos anos 1940, mais de quinhentos anos após o pioneiro desembarque de Cabral. De quebra, ao falar dessas obras, Hugo Almeida resgata a inventividade das técnicas construtivas que as viabilizaram e aproveita para homenagear o trabalho coletivo, o verdadeiro construtor. Já a comparação da cidade, ainda mais naqueles tempos, com a Macondo de García Márquez é perfeita. A passagem me levou a uma crônica do autor colombiano em que ele diz que o Caribe é uma região, não geográfica, mas cultural, que vai do sul dos EUA ao norte do Brasil, uma ‘encruzilhada do mundo’, em que a realidade inspira a arte, mas esta, por mais inventiva, jamais logra superá-la.
Enfim, o texto aponta para vários caminhos para leitores curiosos explorarem – história do Brasil, evolução de tecnologias, folclore, cultura nordestina e indígena, literatura e realismo mágico. Além do momento histórico (navio a vapor ainda no mar e aviões já no ar), Segunda Guerra Mundial e ditadura militar. O final é muito surpreendente. E deixa aberto todo um universo.”