Comentários de leitores de H. A.
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(Marta Barbosa Stephens, autora do romance As viúvas passam bem.)
“Li seu Vale das Ameixas! Como sempre atrasada nas leituras importantes, mas eu precisava ler com calma. Achei o livro maravilhoso! Que esmero narrativo. Parabéns! Não sobra nada, não falta nada. O protagonista é um anti-herói sobre quem queremos saber mais. Tive que parar a leitura algumas vezes para entender as referências a artistas poloneses – e adorei essa janela! Achei um livro instigante, no melhor estilo Amarelinha [O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar] e, claro, também vejo a inspiração osmaniana. Fantástico! Realmente, uma alegria essa leitura! Parabéns por essa obra-prima!”
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(Lara Passini Vaz-Tostes, autora de Mitos investidos e O lugar que não existe [mas sou eu].)
“A maneira como descreveu o site – como uma tentativa de rede silenciosa, de ecos e encontros – revela não apenas sua visão sobre a literatura, mas também sua generosidade como leitor e autor. É raro encontrar alguém que compreenda tão finamente a intenção que pulsa por trás de um gesto literário.”
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(Paula Barbosa, professora, São Paulo.)
“Oi, Hugo, só agora [julho de 2025] consegui acabar de ler o seu livro sobre Osman Lins [A voz dos sinos]. Gostei muito de seguir o seu olhar tão próximo e carinhoso a respeito do autor e da obra, perseguindo os temas por toda a obra e trazendo outras leituras críticas. Esse último semestre foi bem corrido e de bastante trabalho.”
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(Valentim Facioli, na orelha de Porto Seguro, outra história, de H.A.)
“Esta novela de Hugo Almeida – escritor talentoso, autor de diversos livros – narra a aventura de um engenheiro construtor de estadas e de cais. Trata-se, no caso, de abrir uma estrada, ainda de terra, para ligar Porto Seguro ao restante do país, e de proteger a cidade do avanço do mar. Trabalhos feitos com machados, picaretas, enxadas, pás e lombo de burros, num tempo ainda de poucas máquinas.
As aventuras são narradas pelo neto do engenheiro responsável pelas obras. Na narrativa convive um cruzamento de memórias (contadas pelo avô) e da imaginação (trabalho literário do neto). A estrutura da novela se organiza no ritmo e no processo das construções. O leitor convive, assim, com duas tarefas: a do engenheiro e a do escritor.
A linguagem clara, quase transparente, e ainda assim sensível ao pitoresco regional e de época, informa os passos desses dois trabalhos e faz sobressair justamente o valor do trabalho.”
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(Octavio de Faria, em carta a H.A. sobre seu livro de estreia, Globo da morte, 1975.)
“Contos estranhos, diferentes. Verdadeiros pedaços de vida, vivos, quentes. O que mais me impressiona, em todos eles, é o autor que está por detrás deles. E como sabe escrever!”
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(Whisner Fraga, “Certos casais – as variantes da intimidade”, em Acontece nos Livros.)
“Hugo é um escritor refinado, de maneira que é preciso mantermos a atenção ao que escreve, isso nos é exigido claramente. Nada mais justo do que dedicarmos nosso tempo a uma obra de arte, que certamente levou tempo para ser elaborada. Percebemos um trabalho apurado para conciliar forma e conteúdo e isso é raro em um escritor. O primeiro conto, ‘O sono do vulcão’, é uma paulada. Já a primeira frase nos causa espanto: ‘Deus fez o mundo à toa?’, provoca o narrador. Pronto, já basta para ficarmos presos à trama.”
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(Ronaldo Cagiano, no posfácio “Um romance ousado e singular: simbiose entre História e Linguagem” da 4ª edição de Mil corações solitários, romance de H.A., a sair em julho de 2025, pela Editora Sinete.)
“Original, versátil, polifônico e de esmerada construção verbal, Mil corações solitários, quase quatro décadas após conquistar o prestigiado Prêmio Nestlé de Literatura de 1988, reeditado em boa hora pela Sinete, confirma o talento de um autor e a qualidade de uma escritura arrojada e de rigor estilístico, mantendo-se atualíssima e incontornável como verdadeira obra de arte em língua portuguesa.”
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(Ana Cecília Carvalho, escritora e psicanalista, na orelha da 4ª edição de Mil corações solitários, romance de H.A.)
“Jogada num casamento abusivo que a deixa solitária, infeliz e sem saída, a personagem Níobe, recém-casada, escreve cartas para a mãe, o que continua a fazer até mesmo após tornar-se órfã. O destino dos filhos de Níobe – René (tão edipiano) e Ana (Freud a explica) –, que sobrevivem marcados pela união distópica de seus pais, se conecta, cada um à sua maneira, com o nunca dito – o mal-dito –, que precisa ser decifrado, da solidão da família.”