Uns toques

Citações para jovens escritores

  • “Os poetas escrevem geralmente em verso. Esse fato rotineiro nos habituou à ideia de que a poesia se encontra no verso. A verdade é que ela se encontra igualmente na prosa.”

    (Henriqueta Lisboa, “Poesia e prosa”, Convívio poético.)

  • “O único problema em não falar com você mesmo é que você é o parceiro de conversa mais fascinante que pode existir. Ninguém tem mais paciência em escutar você do que você mesmo, e embora ninguém o conheça melhor do que você mesmo, ninguém é capaz de entendê-lo mais errado.”

    (Viet Thanh Nguyen, O simpatizante.)

  • “O seu medíocre desejo era subir, fosse como fosse, e entendia por isso fazer-se deputado, embora não tivesse uma qualquer ideia política ou social a propor, tornar-se membro deste ou daquela sociedade sábia, embora não tivesse demonstrado qualquer forma de sabedoria.”

    (Lima Barreto, “Era preciso…”, Histórias e sonhos.)

  • “Poeta urbano por excelência, a experiência de viver em cidades cosmopolitas e babélicas como Brooklyn, New Orleans e Nova York não pode ser esquecida. Também é importante dizer que o self de que Whitman nos fala nada tem a ver com o individualismo egoísta de nossos dias. Paradoxalmente, quanto mais Whitman canta o seu ‘eu’, mais ele é universal, mais ele transcende tempos e espaços.”

    (Rodrigo Garcia Lopes, posfácio “With the Man” [Com o homem], de Folha de relva, de Walt Whitman, que ele traduziu.)

  • Os 60 anos de publicação de Nove, novena, de Osman Lins, serão comemorados com palestras e exposição, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, nesta segunda quinzena de setembro de 2026. A entrada é franca. No dia 17, H. A. vai apresentar a palestra “Nove, novena, sinfonia de sinos e silêncios”, resumo de um capítulo de seu livro A voz dos sinos – o sagrado, a mulher e o amor na obra de Osman Lins.

    (Veja aqui a programação de “Nove, novena, de Osman Lins – Palestras e Exposição”.)

  • “É possível tirar algumas conclusões: Whitman via uma conexão indissociável entre linguagem e mundo. Palavras são signos vivos de uma cultura. Para ele, tudo era linguagem: ela não só estava no poder de falar, nos dicionários, mas incluía gestos, relacionamentos, atos, afetos, sons, emblemas, ideias, conceitos. O pessoal é sempre político. O corpo não está separado da mente. Não existe linguagem privada: ela é sempre social e pública.”

    (Rodrigo Garcia Lopes, posfácio “With the Man” [Com o homem], de Folha de relva, de Walt Whitman, que ele traduziu.)

  • “O nosso autor lutava contra essa escravizada palavra repetitiva, intrusa, colada na memória de todo escritor, de todos nós usuários de sua visibilidade e oportunidade de uso. […] Bartolomeu Campos de Queirós sempre soube descartar essas palavras do vocabulário comum, de rima pobre, ou a palavra empobrecida pela vilania de seu uso. Então, o escritor pega, esfrega, nega, mas não lava. Sim, as palavras não foram lavadas nem levadas. Estão lá no fundo de seu baú de memórias.”

    (Maria de Lourdes Caldas Gouveia, Bartolomeu Campos de Queirós: espelho da palavra.)

  • “Grande é a linguagem …. a mais poderosa das ciências / Ela é a completude e cor e forma e diversidade da terra …. e dos homens e mulheres …. e de todas as qualidades e processos; / Ela é maior que a riqueza …. maior que edifícios ou navios ou religiões ou pinturas ou música.”

    (Walt Whitman, Folhas de relva.)