Citações para jovens escritores
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“Apenas a partir da convicção da verdade e importância de nossos pensamentos surge o entusiasmo que é exigido para buscar sempre, com incansável perseverança, a expressão mais clara, mais bela e mais vigorosa – da mesma maneira que recipientes de prata e ouro são usados apenas para coisas sagradas ou obras de arte inestimáveis. É por isso que os antigos, cujos pensamentos formulados em suas próprias palavras já sobreviveram por milênios, e que merecem portanto o título honorífico de clássicos, escreveram com todo esmero. Dizem que Platão redigiu a introdução de sua República sete vezes, com diversas modificações.”
(Arthur Schopenhauer, A arte de escrever.) -
“Não há nada mais fácil do que escrever de tal maneira que ninguém entenda; em compensação, nada mais difícil do que expressar pensamentos significativos de modo que todos os compreendam. […] A primeira regra do bom estilo, uma regra que praticamente se basta sozinha, é que se tenha algo a dizer.”
(Arthur Schopenhauer, A arte de escrever.) -
“Uma das coisas mais difíceis é o primeiro parágrafo. Posso gastar muitos meses em um primeiro parágrafo, mas, quando eu o consigo, o resto vem com muita facilidade. No primeiro parágrafo você resolve a maior parte dos problemas do livro. O tema está definido, o estilo, o tom. Pelo menos no meu caso, o primeiro parágrafo é uma espécie de amostra do que vai ser o resto do livro. Por isso, escrever um livro de contos é muito mais difícil do que escrever um romance. Cada vez que você escreve um conto, tem de começar tudo outra vez.”
(Gabriel García Márquez, em Os escritores 2 – As históricas entrevistas da Paris Review.) -
“A celebridade é um plebeísmo. Fernando Pessoa. Deve ferir uma alma delicada. Gustav Janouch tinha dezessete anos e escrevia poemas quando conheceu o autor de A metamorfose. Em Conversas com Kafka, deixou registrada a aversão do escritor aos holofotes. Kafka parecia dizer Por favor, não tenho nenhuma importância. Você me daria uma grande alegria não me vendo.”
(H.A., Vale das ameixas.) -
“A obra de arte – e, de modo particular, a obra literária – não se nos impõe apenas como um objeto de fruição ou de conhecimento; oferece-se ela ao espírito como objeto de interrogação, de pesquisa, de perplexidade.”
(Gaëtan Picon, “A obra como enigma”, O escritor e sua sombra.) -
“Recebo [livros] às pencas, daqui e dacolá. O meu desejo era dar notícia deles, quer fosse nesta ou naquela revista; mas também o meu intuito era noticiá-los honestamente, isto é, depois de tê-los lido e refletido sobre o que eles dizem. Infelizmente não posso fazer isso com a presteza que a ansiedade dos autores pede.”
(Lima Barreto, “Livros”, Impressões de leitura.) -
“Daniel Stern – Seu estilo sempre pareceu tão individual, tão reconhecível. Esse é um dom natural ou é arquitetado e polido?
Bernard Malamud – Meu estilo flui dos dedos. O olho e o ouvido aprovam ou emendam.
[…]
Daniel Stern – Há algo que eu não tenha perguntado, e que gostaria de comentar?
Bernard Malamud – Não.
Daniel Stern – Por exemplo, o que o ato de escrever tem significado para o senhor?
Bernard Malamud – Ficaria muito emocionado se respondesse.”
(Os escritores 2 – As históricas entrevistas da Paris Review.) -
“Observando Vicente, meu barbeiro, no ofício há mais de vinte anos, amolar a navalha na correia, pergunto em quanto tempo aprendeu a fazê-lo.
– Dez anos.
– Com sete ou oito, ainda não sabia?
– Não, e alguns barbeiros não aprendem nunca.
– Como é que você sabe que a navalha pegou o fio?
– Sinto na mão. Mesmo de olhos fechados.
Amolar navalhas, então, evoca a arte de escrever: pelo que exige do praticante, em exercício e paciência; e pelo modo como o fio se revela, tão semelhante à maneira como o escritor, amolando sua frase, percebe (também na mão?) ter alcançado o que busca.”
(Osman Lins, A rainha dos cárceres da Grécia.)