Citações para jovens escritores
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“Escrever é estar no extremo / de si mesmo, e quem está / assim se exercendo nessa / nudez, a mais nua que há, / tem pudor de que outros vejam / o que deve haver de esgar, / de tiques, de gestos falhos, / de pouco espetacular / na torta visão de uma alma / no pleno estertor de criar.”
(João Cabral de Melo Neto, “Exceção: Bernanos, que se dizia escritor de sala de jantar”, Museu de Tudo.) -
“O romance é com frequência a história de um indivíduo que busca um sentido que não há, é a odisseia de uma desilusão. Hegel, entretanto, acreditara e esperava que o romance fosse a nova epopeia burguesa. […] Antes que ‘epopeia moderna’, como queria Hegel, o romance moderno será a antiepopeia do desencantamento, da vida fragmentária e desagregada.”
(Claudio Magris, “O romance é concebível sem o mundo moderno?”, A cultura do romance, org. Franco Moretti.) -
“Eu queria reerguer, com amor e lucidez, o tempo da minha eternidade e, nele, tentar mover meus mitos, os heróis da minha infância, minha mitologia.”
(Osman Lins, sobre O fiel e a pedra, em Marinheiro de primeira viagem.) -
“O homem que conseguiu captar a sensação de eternidade que está espalhada por toda a Grécia e transpô-la para os seus poemas é George Seferiades, cujo pseudônimo é Seferis. Conheço o seu trabalho apenas de traduções, mas mesmo que jamais houvesse lido a sua poesia, saberia que este é o homem destinado a transmitir a chama sagrada.”
(Henry Miller, O colosso de Marússia.) -
“O primeiro romance em sentido próprio é o incomensurável Dom Quixote, que, segundo Dostoiévski, seria suficiente, sozinho, para justificar a humanidade aos olhos de Deus; a partir de seu modelo, séculos mais tarde, o romantismo inventa e codifica o romance como expressão por excelência da modernidade.”
(Claudio Magris, “O romance é concebível sem o mundo moderno?”, A cultura do romance, org. Franco Moretti.) -
“Alta noite, quando escreveis um poema qualquer / sem sentirdes o que escreveis,/ olhai vossa mão – que vossa mão não vos pertence mais;/ olhai como parece uma asa que viesse de longe./ Olhai a luz que de momento a momento/ sai entre os dedos recurvos./ Olhai a Grande Mão que sobre ela se abate/ e a faz deslizar sobre o papel estreito,/ com o clamor silencioso da sabedoria,/ com a suavidade do Céu/ ou com a dureza do Inferno!/ Se não credes, tocai com a outra mão inativa/ as chagas da Mão que escreve.”
(Jorge de Lima, “Alta noite quando escreveis”, A túnica inconsúltil.) -
“Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto-e-vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida…”
(Mario Quintana, “A carta”; Caderno H.) -
“Ter Arte é ter Paixão. Não há Paixão sem verso…/ O Verso é a Arte do Verbo – o ritmo do som…/ Existe em toda a parte, ao léu da Vida, asperso / E a Música o modula em gradações de tom…”
(Jorge de Lima, “Paixão e Arte”, Os melhores poemas, seleção de Gilberto Mendonça Teles.)